Não sei como começar o texto. Pronto, assim como já fiz antes, assumo... não faço ideia de como iniciá-lo. Sei do que vou falar. Sei exatamente o que pode ser exposto, mas sempre achei inícios complicados. Ainda sim, mais agradáveis que os finais – exceto aqueles que nos dão impressão de continuidade e é exatamente por isso, pela ideia de não ser o fim. Como eu disse, inícios são sempre mais agradáveis que finais. É que poucas vezes fim significa ganho, na maioria das vezes é a perda de algo, de alguém. E eu, bom, eu não sei perder ninguém. Já perdi muita coisa na vida, muita oportunidade, muitas chances de errar na ‘hora certa’, muita chance de arriscar e sair ilesa e isso pouco me incomoda. Mas quando o assunto são pessoas, são os “meus”. Aí não tem jeito, não sei perder. Assim como já fiz antes, caro leitor, reafirmo, não sei perder ninguém.
Eu sou imediatista, minha sede por vida é muito grande. Sempre tenho alvos, sempre quero chegar rápido demais, às vezes nem sei onde e acabo atropelando tudo. Exemplo disso? Releia o primeiro parágrafo e sinta como os joguei nesse assunto sem dó, nem piedade, simplesmente por não saber fazer uma introdução que amenizasse minha velocidade. E esse ritmo que eu me imponho, poucos acompanham. Mas eu preciso de muitos e tento levar todos. Poucos sabem, mas eu os trago. Poucos percebem, mas estão comigo. Ainda mais raros são os conscientes desse movimento todo, principalmente os que o são, porque eu fui obrigada a contar. Fui obrigada a pedir que andassem mais rápido porque eu não queria deixá-los. Esses são os mais pesados e eu não consigo carregá-los sozinha - não por muito tempo. E é nessa hora que eu tento convencê-los. Tento demarcar uma velocidade satisfatória pra ambos, tento ir e voltar pra buscá-los, só pra me dá um descanso. Tento mostrar que um pouco de esforço e muito de vontade são suficientes. E quanto tudo isso falha... Aí não tem o que ser feito, inevitavelmente, alguém fica pra trás. Mas será que fica mesmo? Não. E por quê? Exatamente, leitor, porque eu definitivamente não sei abrir mão de ninguém.
Eu ainda não aprendi que alguns de fato não merecem, não querem, não podem seguir comigo. Porque a perda é uma das lições mais difíceis dessa vida e eu não sei fazer outra coisa além de escrever sobre ela. É por isso que vivo construindo pontes entre o que foi e o que há de ser, acabo vivendo num “E se fosse, e se pudesse, e se eu fizesse, e se fizessem por mim”. Acabo sempre indo e voltando, dilacerando uma saudade que já poderia ter acabado, sangro feridas passadas simplesmente por não permitir que o tempo as feche, as cure ou as torne imperceptíveis. Esqueço sempre do ‘agora’. Aliás, o que é o agora? É esse momento que eu escrevo. Pra você é esse da leitura. Viu? Embora seja amante da velocidade, tenho um certo apego pelo estável e acabo ficando confusa com tudo que muda rápido demais. Até um tempo atrás meu agora eram planos de futuro, hoje é retalhos do passado. Muda. Transforma. Acaba. Constrói. Esquece. Sente. Nesse ciclo, até eu que odeio exatidão, sinto falta da segurança que ela traz. Porque no que é exato, nada falta, nada sobra. O ideal que não existe, que eu não procuro, mas que ainda sim, me faz falta.
E eu sei que não há muita opção. Eu tenho que seguir. E quando sou obrigada a escolher, mesmo voltando atrás uma infinidade de vezes, eu escolho por mim. Porque pra ter alguém comigo, eu preciso está aqui e sendo assim, não posso abrir mão de todos os outros porque alguém não foi capaz. Mesmo que eu sangre todos os dias, mesmo que eu volte pra saciar um pouco a nostalgia. Mesmo que eu acabe uma tarde assim, escrevendo pra libertar-me. Eu escolho por mim. Porque os que me acompanham, merecem que eu lute por eles. Até porque tenho consciência que não é fácil, mas também sei dos motivos que eu dou pra que venham comigo, sei de tudo que eu sou capaz de fazer pela felicidade dos meus. E por eles, eu acabo fazendo por mim. Eu sigo, de verdade, eu sigo.
"E o fim da linha é
só o início de uma nova linha, de um novo mundo...”