quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não há tempo que volte, amor!

Eu quero teu perfume na raiz do meu cabelo, quero teu suor acomodado em meu sofá, quero tua paz no meu sossego, quero apoiar-me no teu peito cansado de ser só. Eu quero você  e amanhã não quero mais. Queimou, ardeu, passou! Os ciclos que inevitavelmente encerram-se, um a um - ainda que construídos aos montes. Um a um, um em um, só mais um! 60 segundos, 365 dias, 8 horas diárias. Vicioso ou não, ciclos. Inicia, finda - é assim desde o princípio e não há de mudar - ainda bem!
E é desse jeito que estes últimos dias têm passado por mim, largando pontos finais - ora convenientes, ora doídos de saudade - tirando o charme que as reticências dão as minhas frases e aos meus sentidos, me empurrando aos trancos e barrancos, me gritando que não há tempo, me cantando que há paz, logo ali, eu só preciso andar! E como quem quer e de certa forma não tem opção, eu vou e o que eu tenho deixado para trás, eu sinto muito (ou não), é caminho sem volta! Vai ficar ali! Com cheiro de lembrança, com gosto de alívio, com a amargura do arrependimento. Mas vai ficar e não há quem mude! Adeus, foi bom - ou não, mas foi, já não é!
Pois é meus queridos, as coisas que um dia foram poesia, hoje são passado! Nem por isso há silêncio! E mais, eu sobrevivi - mais uma vez. E com fé, hei de sobreviver tantas outras. Ainda que eu tenha me exposto, ainda que eu tenha pedido por dor por acreditar que só assim viria a cura. Ainda que eu tenha tido que rasgar meus medos pra descobrir que não existia medo algum. Ciclos capengas que arrastando-se quiseram ver mais um sol, mas eu tive que avisá-los: "Meus caros, vocês sequer existiram" e virar a página sorridente, levando um sol e óculos escuros pra não arder os olhos. E eu continuo sorrindo - e talvez esta seja a única coisa que não mude, pelo menos não do lugar que você olha!
Circuitos encerrados, por vontade minha ou não, mas encerrados! Aliás, ainda há uma coisa, uma única história não resolvida! Mas eu já tirei quatro dos sete palmos de terra que a cobria, já rasguei meu coração e admiti pra alguém - além de mim - que houve uma vez, uma única vez, que eu me vi sem coragem de correr riscos por mais um minuto sequer e por isso enterrei uma gama de sentimentos bons, mas agora, brandos e contidos, já podem espalhar-se e sair daqui, pra que assim eu possa, de fato, quitar as minhas pendências comigo!
E eu termino por aqui, confessando que há tempos não acordava tão leve, carregando só o que é meu, a ressaca das minhas dores e desamores, a paz dos meus afetos! Sem - ao menos por um dia - oferecer as costas e o peito pra quem teme a devastação que o amor causa. Desafiando-o com o olhar que eu sei que ele adora e convidando-o para voltar e devastar o que mais quiser, mas dessa vez do nosso jeito! não do meu, não só do dele, do nosso! Como fazíamos até um tempo atrás... Estando eu inteira e ao seu dispor...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Amor, eu te proíbo de não me querer...

Eu não espero que entres, mas caso um dia me bata à porta, hei de vestir o meu melhor sorriso, desarmarei as armadilhas em volta do que há de mais íntimo e deixarei que entre na minha casa, no quarto empoeirado em que trancafiei os nossos sonhos, pedirei que não fale alto, mas que sussurre - bem aqui no meu ouvido, toda saudade que a tua indecisão te trouxe, do alívio de enfim perceber que sempre soube o que queria e que não é nada além de mim. Me deixarei ser tocada pela delicadeza do teu carinho, me deixarei ser tomada pela selvageria da tua vontade. Me deixarei, simplesmente, me deixarei... 
Eu não espero que ouças nenhuma das minhas súplicas, nem que leia as palavras que por descuido me escapam, mas caso alguém te leve a indiscrição das minhas confissões, lançarei sobre você o meu olhar mais sincero, desnudo da proteção que ele nunca teve, úmido pelas certezas que ele carrega só. E só assim, hei de responder as perguntas que pairaram no ar desde o último beijo, desde o último sol. 
Eu não espero que confesses o amor que te recusas a sentir, mas caso ele te pareça grande demais, te empresto o meu peito surrado por mais uma de tuas recusas, divido contigo o peso de ser humano e você há de entender que é mais leve seguir a dois, que é mais forte quando há braços entrelaçados ou simplesmente abraços. E você não haverá mais de querer ir, não terá graça a solidão, ser um só, ser só um, só mais um... 
Eu não espero que acredites que todos os teus caminhos te trazem até mim, mas quando você – inevitavelmente - me encontrar, estarei sim, vestindo o meu melhor sorriso, irei acolher teus sonhos como sendo meus e realizarei mais que só as tuas fantasias. Não fingirei surpresa, é caminho fadado e não por falta de escolha, mas por excesso de vontade! Eu hei de esperar-te só pela certeza de que você virá! Dessa vez quieta, no meu silêncio mais sincero. Não há mais o quer dito, há o que ser vivido! E só falta você... 
Meu coração já está em tua cama, minha alma tatuada no teu corpo. Vem, eu não te dou nenhuma outra opção (e cá pra nós, você nem precisa...)! Chega desse jogo omisso, nós dois já cansamos dele! Vem, teu caminho é um só. E sou eutu sabes, nós dois sabemos!

"Vem, vambora! Que o que você demora é o que o tempo leva ♪"

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

... Que a tua solidão me dói

E você enfim veio à janela olhar a chuva regar teu sonho e o jardim que existia no teu terraço antes de você esquecê-lo, enfim encontrou as minhas letras mal escritas e dedicadas exclusivamente a ti, veja bem, exclusivamente a ti! Viestes em busca de inspiração... Você adora chuva e só o cheiro que ela trás, te desconcentra! Você riu... Pensou: É possível que me conheça tanto assim? E agora teu sorriso subiu de tom, atingiu quase o limiar da minha satisfação! Mas você já encostou-se na janela, as pernas cruzadas uma na outra ou um balançar frenético da perna direita, minha subjetividade começa a tirar tua quietude! Você parou de mexer a perna, conscientemente você nunca o faz. É, você riu de novo... 
Sim, eu sei disso, disso e de tantas outras coisas... Como da garrafa de água meio cheia, meio vazia (depende do seu estado de humor) que está ao lado do seu notebook abarrotado de projetos não concluídos, da caneta vermelha ao lado da agenda com rabiscos solitários. Sei do jeito que suspira quando escreve e do olhar crítico com que lê cada vírgula e escolhe onde posicioná-las, pra se entregar só um pouquinho ou pra escancarar tudo de uma vez e mandar essa coisa toda pro espaço. Eu sei tudo sobre você! Eu esperei que chovesse pra poder sair, eu não poderia errar em nada... Você viria aqui pra inspirar-se e descrever-me, e eu - te poupando trabalho - estou aqui, numa auto-descrição! E pela primeira vez, falando por mim e te impedindo de me resumir a um fardo que você se orgulha em ostentar. 
Eu fui embora. É, fui. E eu não vou voltar! Nem hoje, nem amanhã e nem depois. Nem quando a chuva transformar-se em tempestade e alguém quiser unir-se a você por um mundo mais quente. Você vai gritar por mim, como grita todas as manhãs, como sussurra todo anoitecer. E eu vou te ouvir, mas não me moverei. Eu ficarei aqui, te olhando se perder na falta de mim, te vendo flutuar por não pesar mais nada. Enfim livre, enfim só, enfim vazia! Perdoe-me as palavras ásperas, não vou mascará-las, embora você tenha me ensinado direitinho como fazê-lo. 
É fácil me expor num mundo tão carente, é fácil bater no peito e dizer que me tem, que dói, mas que eu sou teu! E eu fico mesmo muito atraente dentro desse terno que você me faz usar pra apresentar-me aos seus amigos. Mas ele me sufoca. Ele, você e suas malditas margens justificadas. Eu odeio esse cabelo de homem moderno, essa pose de intelectual e essa queda romântica por coisas em comum.
Eu adoro assumir diferentes papéis, andar de pés no chão e vestir-me como o mendigo feliz que você encontrou esta tarde. Eu sou grande demais pra você, mesmo que eu ocupe todas as suas veias, artérias, pulmões e cada espaço anatômico desse seu corpo que você demorou tanto pra aceitar (E que eu sempre achei tão lindo e sempre quis que fosse só meu!).
Mas você se perdeu em mim, se diluiu e esqueceu das suas vontades. Eu adoro sua devoção, mas essa coisa submissa me irrita. Eu gostava da sua atitude e do jeito que desafiava minhas vontades absurdas, eu sempre preferi você e você foi a única a não perceber isso. Quis tanto que eu fosse teu, que esqueceu-se de ser, também, minha. E me abandonou aqui, nessa janela em que eu, gentilmente, me descrevi, me dissolvi! 
Daqui eu sonho contigo, minha menina! Contigo e com o jeito com que teu cabelo ameaçava o vento! Daqui eu espero por tua voz erotizando nossa sala. E sei que só tu podes me encontrar, porque a mulher dentro da qual se escondestes, não se meche, não meche comigo! Vem ser minha, menina! Vem ser, minha menina

Assinado: O amor que você há tanto diz ter. O amor que sempre te quis. O amor.