sábado, 22 de dezembro de 2012

Cento e dez, Cento e vinte, Cento e sessenta

"E a minha vida é tão confusa 
quanto a América Central,
por isso não me acuse 
de ser irracional"
(H.G)

Muita luz pra pouca tolerância. Sem sair do lugar, já dei inúmeras voltas por aí. Visitei antigos traços desconexos do mapa que eu mesma construí, dei uma olhadinha por cima do muro, ansiosa – como sempre, tentando enxergar o que vem ali, logo à frente. Já parei, tomei uma água e voltei a rodar. Sentei-me e entreguei a autonomia para o meu lado mais sincero e eis que ele não para mais de falar. Não se importa se eu estou consumida por uma dor de cabeça com precedentes bem conhecidos, também não acha que eu precise sair e viver alguma coisa como outros fazem agora. Convenceu-me que eu estou saciada – e cá pra nós, eu estou mesmo. Serena, embora a menos de dez minutos tenha tido uma vontade louca de surtar, de despir-me da sanidade e sorrir pro perigo ou incorporá-lo, ser - eu mesma - aquilo que eu temo. Mas não, eu escrevo. Não por privar-me, mas é que aqui eu piro. Piro mesmo. E sei que há quem perceba e enlouqueça junto comigo. Fica o convite, isso muito me agrada!
Cento e cinqüenta quilômetros por hora, numa das poucas estradas retas que eu hei de encontrar pela estrada. Sou fascinada por curvas, principalmente aquelas que têm o poder de mudar todo meu caminho, acho retornos um tanto patéticos, mas vez por outra necessários. Mas agora estou em linha reta, numa velocidade onde pouca coisa importa e onde um detalhe pode fazer toda diferença. Já estive assim antes, nas sessões necessárias de terapia, beijei meu psicólogo, fugi pras ruas da adrenalina, voltei, abriguei-me no consultório e quase não saía mais. Mas libertei-me e desde então, nada mais conseguiu ser tão atraente quanto... 
E quem se importa? Eu. E ninguém mais? Hum, talvez sim. Talvez se importem tanto que simplesmente não possam mais. Não é todo mundo que sempre está disposto a carregar um pouco mais. Aliás, tem sido cômodo, né? Minha bagagem parece tão espaçosa, uma coisa a mais não há de pesar tanto... Engano, pesa e pesa muito, mas em momento nenhum vou recusar-me a carregar. Só exijo uma coisa, deixe-me escolher os portos, eu sei onde ancorar, por mais que esteja em falso e que tudo isso esteja prestes a afundar, é só um descanso. Nada mais. Só estou mastigando a paz que um dia veio da incerteza, só estou bebendo a calmaria que ainda vem e eu não sei o porquê. Deixe-me respirar, nossos fardos estão bem guardados e muito bem cuidados. 
E mais, permita-me enlouquecer, bagunçar os cabelos ao desafiar o vento. Esperar que a onda arraste-me os pés. Até que o porto esteja firme, até que possa passar de um descanso, de um descaso, de um caso. Até que eu possa, enfim, parar e entregar a cada um o peso de ser. Por mais uma terapia, mais um abrigo e muita adrenalina. Por mais madrugadas pairando sobre as lembranças, sem planejar futuro algum, construindo-o à velocidade que eu quiser, nas curvas que eu escolhi pintar. Por mais algumas poucas cervejas, outros muitos olhares. Por mais loucura, mais inquietude, por mais de mim

Vem comigo, confere a loucura que é estar vivo, que é ser eu, que é ser d’eu. Vem comigo, sem seguro, eu te seguro! Enlouquece você também ou eu mesma te enlouqueço!


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Há um muro de Berlim dentro de mim

Este é um daqueles textos que eu começo a escrever sem saber se será postado, natural – se bem que os meus textos sempre o são, sempre fluem fácil, caneta deslizando no papel branco, sentimento fervendo as veias... Se fosse possível, os olhos estariam fechados e sozinhas, as palavras se materializariam, como não é, mantenho meus olhos fixos enquanto o coração escreve o que não quer mais comportar sozinho. Se estiverem lendo, provavelmente eu percebi que o peso não era tão grande, que os meus sorrisos não se farão ausentes e que eu não preocuparei ninguém que venha aqui pra saber de mim ou pra tentar entender o que por vezes é tão óbvio. Deveriam saber o quanto eu quero que vocês possam lê-lo, o quanto eu já imagino o cenho franzido de alguns e o quanto eu desejo que ao final sorriam tranquilos. Eu realmente quero
 Sempre andei segurando meio mundo de gente, arrastando, impulsionando, às vezes até cedendo o meu lugar ‘na vida’. Me aquecendo com uns poucos sorrisos, mergulhando em alguns muitos abraços e nunca estive perdida. Não até hoje. Não sei bem, o caminho me parece um só, sem escolhas, sem dilemas, sem apego pelo que inevitavelmente ficou pra trás, mas sem vontade alguma de segui-lo, me parece muito démodé para o meu astral, parece-me solitário demais pra quem nunca teve as mãos vazias e pra quem tem um coração inquieto, sedento por novos motivos. É tudo tão vazio, um automatismo barato vendido em cada esquina. Tenho dispensado, grata! Aliás, grata não, nem um pouco agradecida
 Banho de chuva em fim de tarde, um olhar que me traga verdade, reencontros premeditados ou casuais. Coisas tão simples e talvez, distantes. Tenho sido corroída por essa competitividade que se instala dia após dia, as pessoas e essa necessidade estranha de se afirmarem através do fracasso de quem está ao lado. Me parece tão mais simples caminhar a dois, vencer a três, comemorar a quatro, cinco, seis. Essa coisa de coletivo é tão mais linda, porque diabos as pessoas a perdem tão cedo? Não vejo graça no preto e branco medíocre desse ‘novo conceito’ de sucesso
 E os dias por aqui têm amanhecido iguais, salvo as tardes em que o céu se deixa manchar por cores mais vibrantes, têm ido embora da mesma maneira. Um dia a mais que foi vencido, um dia a menos pra se lutar. Não sei o que me instiga mais. Também não sei se preciso de mais estímulos. Tenho o orgulho e o amor dos meus, tenho sim, ainda que distantes, olhares tão verdadeiros quanto os que o espelho me reflete. Tenho pessoas ao meu lado, à minha frente e alguns que infelizmente ficaram pelo caminho, mas fizeram história, foram estrada ou me tiveram como uma. Ainda há muito bem pra ser feito, ainda há muito frio lá fora. E eu ainda estou aqui. Não parar, só seguir...

Espero que estejam sorrindo, eu o fiz - de verdade ;)

sábado, 8 de dezembro de 2012

Quantas vezes a gente sobrevive à hora da verdade?

Pois bem, estou aqui pra me despir vagarosamente. Uma peça de cada vez. Uma armadura de cada vez. Um pedaço do meu eu, de cada vez. Pensei numa trilha sonora, num ambiente pouco iluminado, pensei em pedir que fechasse os olhos, mas como eu espero que você leia assim? Bem, talvez eu quisesse ler pra você. Talvez aí colada ao seu ouvido, talvez daqui, com um tom leve - carregado de malícia, não, de malícia não, de verdade! Mas voltemos, aqui vai mais um dos textos que deveriam ser raros – mas não têm sido, mais um no qual eu me entrego propositalmente. Coincidência ou não, na maioria das vezes eles são escritos na madrugada, o turno mais sincero do meu dia. Seja pelo meu sono, seja por esse silêncio que ora sussurra, ora grita, mas se faz ouvir em qualquer ocasião.

Eu lembro do dia em que comecei a escrever, lembro do porquê, lembro do quanto tudo estava pesado. Mas não sei em que momento eu comecei a camuflar tudo o que eu sentia, não sei onde aprendi os jogos de palavras que me fazem parecer contraditória e que deixam os meus leitores se perguntando o que diabos eu tenho na cabeça. Embora eu tenha clareza do motivo que me levou a isso, não sei quando comecei a pôr em prática. Mas posso afirmá-lo, tudo que eu mais quero é ser lida, em linhas ou entre elas, tudo que eu quero é que alguém tenha uma olhar sensível como o meu, que ria dos meus jogos, me chame de bobinha e pense: ‘você não me engana’, há quem faça isso, mas são raros, são poucos e na maioria das vezes não são destinatários. A primeira armadura já caiu, como você se sente? É agradável para você? Me sinto mais livre, confesso. 
Pode ligar a música, já que não pode fechar os olhos, crie o ambiente ao seu gosto. O assunto agora é transparência cuidado na imaginação. Que eu sou estupidamente transparente, todo mundo já sabe; Que eu uso de indiferença pra esconder-me também não é novidade. Mas que eu vivo na torcida que tudo isso desabe, quase ninguém esperava, certo? Pois bem, eu torço, torço muito! Eu acordo esperando por um: ‘decifrei você, ganhei seu jogo’. E por que eu jogo se espero perder? Porque eu não sei fazer de outro jeito. Tudo por aqui me parece tão óbvio e ainda sim ninguém vê, vejo um mundo perdido entre fumaça e buzina, enclausurado nesse desenvolvimento desenfreado, se não conseguem enxergar algo tão claro, porque eu facilitaria? Não vou mostrar o que não querem ver, é pedir um pouco demais. Eu respondo todas as suas perguntas, todas. Basta ter sensibilidade pra ouvi-las, lê-las, ou arrancá-las do meu olhar. Acredite, é fácil! É absurdamente fácil
Então, confundi você? Espero que não. Acredite, estou mesmo tentando ser clara. Ser só eu, despida, sem mistério. Eu e você, num quarto, numa sala, numa varanda até. Conversas leves, sorrisos, afeto e o que mais estiver de comum acordo. Eu me desabaria sobre você, eu te deixaria me ver sem véu algum e traduziria minhas palavras pro teu idioma. Eu libertaria a gente desse jogo idiota que eu imponho sobre mim. Desde que você me visse, desde que fosse capaz de atravessar a armadura sem quebrá-la. E aí você seria o único e eu estaria esperando por você esse tempo todo. Agora esquece esse tempo verbal, eu nunca entendi bem essa coisa de ser ‘futuro do pretérito’, passado e amanhã no mesmo sufixo. Pode ser presente! É só olhar pra mim – mais uma vez, por mais algum tempo. 
A música ainda toca? Não importa, estou chegando ao fim. Se por ventura, tudo ainda te parecer muito confuso, é sinal que me falta transparência ou te falta sensibilidadequem sou eu pra responder isso, não é verdade? Talvez te deixe uma sensação chata de impotência e acredite, ela também é minha. Eu odeio guardar segredos, odeio guardar os meus segredos e é por isso que eu sempre os conto aqui, com um grau de ficção e dois de entrega. No dia em que eu cansar, entre risos nervosos ou não, eu contarei tudo pra todo mundo, eu deixarei alguns surpresos, confirmarei as suspeita de poucos outros. E sairei flutuando, sem esse peso de esconder-me dentro de mim ou das minhas próprias palavras o tempo inteiro. Nua, sem armaduras, sem armadilhas, sem armas... (E penso eu, que não há de demorar muito!)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Em mim, pra mim.


E então, como estamos hoje? Cinco anos atrás, você gastava seu recesso ínfimo na frente do computador situado no lugar mais quente da casa. Palmares, como sempre, te oferecia o aconchego da família e o tédio típico de interior não desenvolvido. Os últimos dias foram um tanto complicados, o cansaço era sentido, não tão visível e o temido quinto período da faculdade batia a porta. Você tomou uma cerveja na ‘vendinha’ da esquina, comeu trufa com suas irmãs, esqueceu um pouco da tarde divida entre ambulância e hospital. Mas me diga, e hoje, como estamos?
                Meus sonhos para você foram muitos, residência de pediatria em andamento, cabelos longos ou do tamanho que estavam quando eu te escrevi, uma rotina saudável de exercícios físicos, um coração não mais sedentário (sim, via de mão dupla), um notebook que ainda guarde documentos intitulados com datas, onde você despejou o que sentiu e não pôde – ou não quis – dizer, teu sorriso como tua maior arma, um lugar pra chamar de teu, ou quem sabe, a certeza de que não há lugar pra você, pois não somos daqui ou quem sabe, não existamos. O futuro que eu escrevi desde muito nova e que até agora, está dentro dos conformes. Então? Concretizamos? Espero que você esteja rindo da minha inocência agora, que esteja pensando: “É claro que sim, algum momento você duvidou?” e quem sabe, dizendo: “Estamos ainda melhor”. Espero que tenha se lembrado de agradecer a Deus, sabendo que foi Ele quem nos conduziu até aí e caso tenha esquecido, o faça agora!
                Mas e as nossas entrelinhas, como andam? Teu coração, ainda do mesmo tamanho? Ou talvez maior? Você ainda surta nas madrugadas e levanta disposta a segurar o mundo? E o mundo ainda tem a mesma dificuldade em te segurar? Quantas são as poucas pessoas que te enxergam hoje? Com quantas você tem sido indiferente pra que não percebam o quanto te deixam frágil? Quantos amores nós perdemos? E melhor, quantos nós vivemos?  E mais importante, qual você vive hoje? Teu social, continua intacto, certo? Teu sonho de um mundo coletivo ainda é o mesmo. [A falta de interrogação foi proposital, eu confio no meu – aliás, no nosso – caráter.] E se por algum acaso, algo tenha mudado, espero que ainda que envergonhada, você recomece a partir de agora!  Uma coisa eu tenho certeza que não mudou, você precisa do todo e ele não é ‘todo’ sem teu ímpeto, ele não é ‘todo’ se você não faz parte dele.
                E no meio disso tudo, eu só espero que estejas feliz, que ainda tenha a mesma força de correr atrás do que te enche os olhos, que continue não desistindo do que te transborda o coração, que teu melhor programa ainda seja um domingo de Arruda e o teu maior sonho uma ‘coisa’ tua, construída a dois.  Que ainda lembres – de vez em quando – que precisas ser ‘uma’ pra ser ‘mais’. Eu só espero que seja uma extensão do que eu sou, esse poço de desequilíbrio andando pelos meio-fios, assim, tenho certeza, que estaremos felizes. Eu espero que eu goste ainda mais de você, porque de mim, eu até gosto um bocadinho.

                Um beijo Pernambucano, um abraço regionalista e aquelas mesmas saudações corais de sempre, Gessica Diniz!  (Nada de doutora, espero que continue achando isso um saco).  

PS: Que eu esteja viva e com memória bem conservada pra reler esta postagem cinco anos mais tarde!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não há tempo que volte, amor!

Eu quero teu perfume na raiz do meu cabelo, quero teu suor acomodado em meu sofá, quero tua paz no meu sossego, quero apoiar-me no teu peito cansado de ser só. Eu quero você  e amanhã não quero mais. Queimou, ardeu, passou! Os ciclos que inevitavelmente encerram-se, um a um - ainda que construídos aos montes. Um a um, um em um, só mais um! 60 segundos, 365 dias, 8 horas diárias. Vicioso ou não, ciclos. Inicia, finda - é assim desde o princípio e não há de mudar - ainda bem!
E é desse jeito que estes últimos dias têm passado por mim, largando pontos finais - ora convenientes, ora doídos de saudade - tirando o charme que as reticências dão as minhas frases e aos meus sentidos, me empurrando aos trancos e barrancos, me gritando que não há tempo, me cantando que há paz, logo ali, eu só preciso andar! E como quem quer e de certa forma não tem opção, eu vou e o que eu tenho deixado para trás, eu sinto muito (ou não), é caminho sem volta! Vai ficar ali! Com cheiro de lembrança, com gosto de alívio, com a amargura do arrependimento. Mas vai ficar e não há quem mude! Adeus, foi bom - ou não, mas foi, já não é!
Pois é meus queridos, as coisas que um dia foram poesia, hoje são passado! Nem por isso há silêncio! E mais, eu sobrevivi - mais uma vez. E com fé, hei de sobreviver tantas outras. Ainda que eu tenha me exposto, ainda que eu tenha pedido por dor por acreditar que só assim viria a cura. Ainda que eu tenha tido que rasgar meus medos pra descobrir que não existia medo algum. Ciclos capengas que arrastando-se quiseram ver mais um sol, mas eu tive que avisá-los: "Meus caros, vocês sequer existiram" e virar a página sorridente, levando um sol e óculos escuros pra não arder os olhos. E eu continuo sorrindo - e talvez esta seja a única coisa que não mude, pelo menos não do lugar que você olha!
Circuitos encerrados, por vontade minha ou não, mas encerrados! Aliás, ainda há uma coisa, uma única história não resolvida! Mas eu já tirei quatro dos sete palmos de terra que a cobria, já rasguei meu coração e admiti pra alguém - além de mim - que houve uma vez, uma única vez, que eu me vi sem coragem de correr riscos por mais um minuto sequer e por isso enterrei uma gama de sentimentos bons, mas agora, brandos e contidos, já podem espalhar-se e sair daqui, pra que assim eu possa, de fato, quitar as minhas pendências comigo!
E eu termino por aqui, confessando que há tempos não acordava tão leve, carregando só o que é meu, a ressaca das minhas dores e desamores, a paz dos meus afetos! Sem - ao menos por um dia - oferecer as costas e o peito pra quem teme a devastação que o amor causa. Desafiando-o com o olhar que eu sei que ele adora e convidando-o para voltar e devastar o que mais quiser, mas dessa vez do nosso jeito! não do meu, não só do dele, do nosso! Como fazíamos até um tempo atrás... Estando eu inteira e ao seu dispor...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Amor, eu te proíbo de não me querer...

Eu não espero que entres, mas caso um dia me bata à porta, hei de vestir o meu melhor sorriso, desarmarei as armadilhas em volta do que há de mais íntimo e deixarei que entre na minha casa, no quarto empoeirado em que trancafiei os nossos sonhos, pedirei que não fale alto, mas que sussurre - bem aqui no meu ouvido, toda saudade que a tua indecisão te trouxe, do alívio de enfim perceber que sempre soube o que queria e que não é nada além de mim. Me deixarei ser tocada pela delicadeza do teu carinho, me deixarei ser tomada pela selvageria da tua vontade. Me deixarei, simplesmente, me deixarei... 
Eu não espero que ouças nenhuma das minhas súplicas, nem que leia as palavras que por descuido me escapam, mas caso alguém te leve a indiscrição das minhas confissões, lançarei sobre você o meu olhar mais sincero, desnudo da proteção que ele nunca teve, úmido pelas certezas que ele carrega só. E só assim, hei de responder as perguntas que pairaram no ar desde o último beijo, desde o último sol. 
Eu não espero que confesses o amor que te recusas a sentir, mas caso ele te pareça grande demais, te empresto o meu peito surrado por mais uma de tuas recusas, divido contigo o peso de ser humano e você há de entender que é mais leve seguir a dois, que é mais forte quando há braços entrelaçados ou simplesmente abraços. E você não haverá mais de querer ir, não terá graça a solidão, ser um só, ser só um, só mais um... 
Eu não espero que acredites que todos os teus caminhos te trazem até mim, mas quando você – inevitavelmente - me encontrar, estarei sim, vestindo o meu melhor sorriso, irei acolher teus sonhos como sendo meus e realizarei mais que só as tuas fantasias. Não fingirei surpresa, é caminho fadado e não por falta de escolha, mas por excesso de vontade! Eu hei de esperar-te só pela certeza de que você virá! Dessa vez quieta, no meu silêncio mais sincero. Não há mais o quer dito, há o que ser vivido! E só falta você... 
Meu coração já está em tua cama, minha alma tatuada no teu corpo. Vem, eu não te dou nenhuma outra opção (e cá pra nós, você nem precisa...)! Chega desse jogo omisso, nós dois já cansamos dele! Vem, teu caminho é um só. E sou eutu sabes, nós dois sabemos!

"Vem, vambora! Que o que você demora é o que o tempo leva ♪"

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

... Que a tua solidão me dói

E você enfim veio à janela olhar a chuva regar teu sonho e o jardim que existia no teu terraço antes de você esquecê-lo, enfim encontrou as minhas letras mal escritas e dedicadas exclusivamente a ti, veja bem, exclusivamente a ti! Viestes em busca de inspiração... Você adora chuva e só o cheiro que ela trás, te desconcentra! Você riu... Pensou: É possível que me conheça tanto assim? E agora teu sorriso subiu de tom, atingiu quase o limiar da minha satisfação! Mas você já encostou-se na janela, as pernas cruzadas uma na outra ou um balançar frenético da perna direita, minha subjetividade começa a tirar tua quietude! Você parou de mexer a perna, conscientemente você nunca o faz. É, você riu de novo... 
Sim, eu sei disso, disso e de tantas outras coisas... Como da garrafa de água meio cheia, meio vazia (depende do seu estado de humor) que está ao lado do seu notebook abarrotado de projetos não concluídos, da caneta vermelha ao lado da agenda com rabiscos solitários. Sei do jeito que suspira quando escreve e do olhar crítico com que lê cada vírgula e escolhe onde posicioná-las, pra se entregar só um pouquinho ou pra escancarar tudo de uma vez e mandar essa coisa toda pro espaço. Eu sei tudo sobre você! Eu esperei que chovesse pra poder sair, eu não poderia errar em nada... Você viria aqui pra inspirar-se e descrever-me, e eu - te poupando trabalho - estou aqui, numa auto-descrição! E pela primeira vez, falando por mim e te impedindo de me resumir a um fardo que você se orgulha em ostentar. 
Eu fui embora. É, fui. E eu não vou voltar! Nem hoje, nem amanhã e nem depois. Nem quando a chuva transformar-se em tempestade e alguém quiser unir-se a você por um mundo mais quente. Você vai gritar por mim, como grita todas as manhãs, como sussurra todo anoitecer. E eu vou te ouvir, mas não me moverei. Eu ficarei aqui, te olhando se perder na falta de mim, te vendo flutuar por não pesar mais nada. Enfim livre, enfim só, enfim vazia! Perdoe-me as palavras ásperas, não vou mascará-las, embora você tenha me ensinado direitinho como fazê-lo. 
É fácil me expor num mundo tão carente, é fácil bater no peito e dizer que me tem, que dói, mas que eu sou teu! E eu fico mesmo muito atraente dentro desse terno que você me faz usar pra apresentar-me aos seus amigos. Mas ele me sufoca. Ele, você e suas malditas margens justificadas. Eu odeio esse cabelo de homem moderno, essa pose de intelectual e essa queda romântica por coisas em comum.
Eu adoro assumir diferentes papéis, andar de pés no chão e vestir-me como o mendigo feliz que você encontrou esta tarde. Eu sou grande demais pra você, mesmo que eu ocupe todas as suas veias, artérias, pulmões e cada espaço anatômico desse seu corpo que você demorou tanto pra aceitar (E que eu sempre achei tão lindo e sempre quis que fosse só meu!).
Mas você se perdeu em mim, se diluiu e esqueceu das suas vontades. Eu adoro sua devoção, mas essa coisa submissa me irrita. Eu gostava da sua atitude e do jeito que desafiava minhas vontades absurdas, eu sempre preferi você e você foi a única a não perceber isso. Quis tanto que eu fosse teu, que esqueceu-se de ser, também, minha. E me abandonou aqui, nessa janela em que eu, gentilmente, me descrevi, me dissolvi! 
Daqui eu sonho contigo, minha menina! Contigo e com o jeito com que teu cabelo ameaçava o vento! Daqui eu espero por tua voz erotizando nossa sala. E sei que só tu podes me encontrar, porque a mulher dentro da qual se escondestes, não se meche, não meche comigo! Vem ser minha, menina! Vem ser, minha menina

Assinado: O amor que você há tanto diz ter. O amor que sempre te quis. O amor.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma carta para você.

Oi, como vai você? Eu devo saber a resposta, mas me disseram que cartas começam assim. Não, não pense isso, eu já escrevi outras cartas, mas a maioria - embora tivessem destinatário certo - se perdeu no caminho, muitas vezes não foram sequer pro papel. Eu nunca divulguei carta alguma, mas o estou fazendo agora. Por quê? Sei lá, me diga você! Não tem coragem? Hum, não é de todo uma surpresa. Não sabe a resposta? Ah sabe, sabe sim! Assim como sabe de todos os meus segredos mal escondidos. Assim como eu sei um pouco sobre você e sua vida à passos finos. Opa, já me perdi. Como se faz mesmo? Alguém ajuda? Alguém entende? Alguém se importa? ... Silêncio... Pois bem, sem padrões. Com o que é sentido! Com a confusão que teu ar me trás, com as certezas que teu sorriso me sussurra. É abstrato, eu sei. Mas quem, dentre nós dois, não é? 
 E agora você quer parar, está com medo de se encontrar nas vírgulas que eu, achando pouco escrever, divulguei. Acalme-se, meu caro! Há outras pessoas sentindo a mesma coisa, há outras pessoas se perguntando: “Será mesmo para mim?” E eu vou respondê-los com o mesmo sorriso que eu larguei ao imaginar sua expressão confusa. Acho que agora não é momento pra exclusividade. Há muitos outros precisando ouvir o que eu te digo, aliás, o que eu penso em te dizer... Me perdi de novo? É, eu sei, tá ficando chato. Sejamos objetivos? Ah, quem me dera! Eu nunca o serei, não aqui! Não paga pra ver o além disso, você não o quer, ou não quer querer... não sei! 
Hoje eu não escrevo sobre você, escrevo para você! E peço que guarde com carinho ao menos uma dessas palavras e caso haja tamanha restrição, que seja: Ame. Assim, terei certeza que você entendeu parte do recado. Ao menos é o que eu espero. Neste exato momento, eu quero te dá pedaços de caminho, quilômetros de asfalto... mas o destino, bom, o destino é você quem decide! O final é teu, com ou sem pódio! Mas os ramos são muitos, em um deles eu estarei! E você caminhará até mim? Eu ficaria feliz – muito! Mas me dou por satisfeita se você, embora longe dos meus afagos, termine teu rumo ao lado de alguém, sem todas as tuas manias bobas, ou com todas elas, divertindo quem te trará o benefício da felicidade. Embora com o fôlego cortado pelo ciúme, volto a dizer, terei certeza que você entendeu o recado. 
 Eu te escrevo pra não ter que ver – por mais um dia – você fazer isso consigo! É hora de ver o sol – eu posso mostrar. Cara, já doeu e doerá outra vez. Já sufocou e não foi nem o começo. Mas quantas vezes já riu? Quantas vezes já consolou? Quantas vezes o amor te amou? E nesse momento, quantas vidas você quis ter, só pra sentir infinitas vezes esse gosto de dependência e liberdade por poder ser o que se é, por poder ter o que se quer? Ora, abra os olhos! Olhe para mim (Opa, não me leve em consideração, é normal que algo me escape!) Voltando... abra os olhos! Enxerga o horizonte de promessas, mais que isso, abre o coração pra além do que já viu, para além do que sentiu, para além – quem sabe para mim. (Podemos fingir que eu não ‘disse’ isso?
E eu vou ficando por aqui. Perdoe-me por encerrar tão cedo e perdoe-me também a confusão, mas me disseram que em cartas se diz o que se sente e nesse caso, não há calmaria, muito menos nitidez. Nada mais que borrões de lembranças vivas, de apelos soltos durante o dia. Nada mais do que foi sonhado pra mim – por mim. Sinto pela falta de jeito, é que eu não conheço mais que o remetente. O destinatário pode ser qualquer um. É aquilo de sem motivos ou objetivos, talvez até sem ‘você’. Por fim, não te esqueces, Ame! Sobretudo ame! Permita-se para além do acaso, permita-se para além de si! 
 E caso queira, responda-me, aceito folhas de guardanapo de um bar, aceito um só olhar e dois sorrisos. Aceito um pouco mais do que ‘a condição de ter você só pra mim’. Só pra mim.

E se a carapuça te serviu, torne-se um destinatário, permita-se! 
Por um dia com mais cartas, mais respostas e menos mordaças!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E a sombra do sorriso que eu deixei...

E eu passei um 'século' pensando em como eu começaria esse texto. Pois bem, cansei. E sendo espontânea (como de fato, sou), confesso que hoje minha cabeça foi tomada de forma repentina, não deu espaço pra introduções, portanto, sem começos poéticos com aspiração à literários. Sem padrões lógicos e formais pra construir uma historinha hipotética, cansei disso tambémsó por hoje. A verdade é que minhas postagens nunca são coerentes o suficiente pra quem só as lê e não reflete. Geralmente esquecem que por trás delas, existe alguém (eu) que nunca escreveu sem motivo, nem sempre meus, mas sempre – sempre – com motivos.
Bom, eu comecei o texto, mas ainda estou rondando um jeito sutil de introduzir o assunto, uma forma mascarada dentro de um fato ou devaneio, daquele jeito que eu adoro e que vocês conhecem bem. Mas vou continuar seguindo a linha espontânea... Essa noite me rendeu sonhos bem reais, daqueles que transpassam a emoção do lúdico pra realidade. Isso costuma mexer comigo... seja bom ou ruim, sempre exerce um grau de influência no meu dia. E cara, foi tudo tão concreto, tão palpável que não podia limitar-se as minhas horas noturnas de inconsciência. Nesta madrugada, no meu merecido sono, eu beijei os olhos de alguémhá quem diga que quem beija os olhos, beija a alma. Depois da intensidade da coisa, acredito ainda mais nisso (É, eu já simpatizava com a ideia). Foi um beijo terno, tão livre dos pesos que eu costumo carregar por sentir demais, embora naquele momento eu tivesse em mim, todo amor do mundo. Senti vontade de não mais mover-me e permanecer ali, nos braços da alma que eu amei em dois minutos, beijando-lhe a face e o coração. Mas eis que o dia insistiu em apressar-se, me tirou de lá e me deixou aqui, pensando, escrevendo e pensando e pensando... 
E eu continuo querendo voltar, não pela pessoa, mas pelo que foi sentido – sinto falta daquela pureza. E pelo beijopelo simples fato de ser um beijo, pelos milhões de significados que pode ter – inclusive não ter nenhum. Seja ele leve - como o que recebo do meu pai, desengonçadoque o diga minhas bochechas vermelhas pelo carinho da minha irmãzinha, seja ele violento, lábios encontrando-se carregados e colidindo com o desejo – não, eu não vou citar exemplos (haha). Quem nunca reviveu um beijo com uma riqueza impecável de detalhes? Eu o faço com certa frequência, lembro do ritmo da respiração, do sorriso que o sucedeu, do afeto dado e recebido. Cara, eu sinto saudades até dos beijos que eu não dei!
Pois bem, externei a inquietude que esse tipo de sonho me trás e me assumo intrigada pela pessoa que recebeu o beijo. Acho que me despi do mistério e da ironia, mas não acostumem-se, situações como essa serão raras por aqui. E por hoje é isso, entre sonho e beijo, eu continuo tentando sobreviver à mim e fazendo com que sobrevivam comigo. Sem um gosto, mas com lembrança.  Na boca, nada além do sorriso (talvez um chiclet de menta, rs)... 

Um BEIJO no olho pra vocês (:
PS: Nem sob tortura eu direi com quem sonhei esta noite, okay? ;)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Um dia vestido de saudade viva...

E antes mesmo de encontrar o sol do meu vale e as águas do velho Chico, eu já sabia que a próxima postagem deste blog ia discorrer sobre os pedaços de mim espalhados pelo mundo. E cá estou eu, pedindo licença ao leque de poetas que já descreveu a saudade das formas mais diversas e lindas, derramando meu amadorismo e algumas poucas lágrimas. Escrevendo sobre a saudade que fere, que chora, mas que também ri de um jeito discreto e caloroso. Da saudade que me faz fechar os olhos e reviver alguns momentos como se estivessem acontecendo ali, naquela hora! E que me permite reagir - de novo - a eles, nem sempre da mesma maneira... O fato é que deste assunto eu entendo, conheço bem – muito bem! Segundo minha mãe, a culpa é da minha ‘mania’ nômade, eu culpo meus sonhos, aliás, não os culpo, sou grata a cada um deles! Temperaram minha vida e acharam quem também o fizesse... Embora a minha saudade tenha ganhado exclusividade hoje, ela sempre esteve aqui, em cada confissão, revolta, discrição ou descrição, ela está em mim, aqui, lá ou em qualquer outro lugar!
Eu sempre estou sentindo falta de alguém, de algum lugar, de alguma coisa. Os amigos que eu conquistei nas cidades em que morei (lê-se Palmares, Olinda, Recife, Caruaru, Petrolina), as pessoas que cruzaram meu caminho por motivos que minha mente humana não alcança. Lugares que eu visitei e me encontrei, lugares que já eram meus. Manias que eu já não posso ter, costumes que eu tive que deixar pra trás. Músicas que eu já não escuto porque machucam, melodias que não me trazem mais as mesmas recordações. Saudades de quem deixei, de quem deixou a mim ou ‘se’ deixou também. Saudades, saudades, saudades, o tempo todo, saudades! E aqui tem muita, de todos os tipos! Tem a saudade que vira lembrança - uma forma um pouco dolorida de perceber que alguém é de fato especial e que nem distância, nem afazeres ( que não são poucos) é suficiente pra se permitir esquecer. Há a saudade que de certa forma vira vazio, essa é infinita e no meu caso tem a voz doce que eu já não escuto. Há ainda a saudade de outros tempos, de outra época – essa é uma das mais lindas, uma brisa que me assanha os cabelos e ameniza o calor, um sopro de ânimo pras batalhas do dia, por lembrar o quanto já andei pra chegar até aqui! 
E é como se eu achasse pouco, sabe? Vivo conhecendo mais lugares, mais pessoas, mais gente – gente de verdade! Vivo me apaixonando por elas e dando um jeito pra que façam parte da correria que é a minha vida (quando eu não estou de férias ou greve, claro!). Procurando ocupar cada milímetro do meu coração e espalhando um pouco mais de mim. Com toda distância e com todo esse afeto, fico indagando se há possibilidade de reunir cada pedacinho desse em um mesmo momento... e é aí que está a chave da questão, a saudade também é uma forma de presença, pois pode não haver matéria, mas há alma! E todas as vezes em que pensei: “Eu poderia está aí ou ‘alguém’ deveria está aqui”, eu entendi que a lembrança o faz presente, e dessa forma, me encontro inteira! 
Sendo assim, aprendi a lidar com a saudade de um jeito bem humorado, até quando ela transborda em lágrimas (como está acontecendo agora), aprendi a transformá-la em palavras, telefonemas e até em silêncio. Entendi o porquê dela existir, a cada reencontro com as pessoas que eu amo, a cada volta pra casa ou para os meus lugares prediletos. E digo, com conhecimento de causa e sem medo, que com o tempo você aprende que onde há afeto, há presença! E enfim se dá conta que a saudade é só um dos meios que o amor encontra pra se fazer existir.


Pensei em dedicar o texto pra minhas maiores saudades – mas são muitas; para os meus novos motivos pra sentir saudades – mas achei injusto. Pensei em reunir várias fotos – mas não tenho tempo (Sou universitária de novo, okay?). Sendo assim, dedico o texto a saudade do dia, a minha irmã e ao seu aniversário e à saudade que eu senti de pular na cama dela à meia-noite deste quatro de outubro! 
Iara Diniz, esse é teu!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Verbo no infinito.

Pois bem, vocês estão certos, eu estou mesmo apaixonada. E faz tempo. Muito tempo, eu diria. Creio que cerca de 16 anos . A princípio pelo Palmeiras (É, eu já tive um surto anti-regionalista, aos 4 anos de idade. Pura birra. Implicar com meu pai naquela época me parecia divertido), depois ou concomitante pelos livros. E fui crescendo e me apaixonando mais. Descobri o amor que eu iria cultivar pelo Time do Povo, pelo Santa Cruz futebol Clube, que começou tímido e agora extravasa todos os meus poros. Premeditava o amor que eu sentiria pela medicina, que hoje povoa cada fio do meu cabelo preto. E fui aprendendo - de um jeito sofrido - a lidar com o (des)encanto e o (des)apego. Aprendi a moldar as palavras e me descobri na escrita. E sigo, por escolha ou por falta dela, sentindo o que me cabe ou o que me atinge
Eu sou apaixonada pelo ser humano. Mas é humano mesmo, no sentido literal, no mais romântico conceito de ‘humanidade’. E não é de se espantar que seja este o meu ponto mais fraco. Vivo derretendo por seres inteligentes, um tanto sarcásticos, por sorrisos e olhares transparentes e carregados de segundas, terceiras, quartas intenções. A malícia me atrai e a ingenuidade me conquista. O mistério me grita, desvendá-lo me satisfaz (Eu conto até pontos pra mim, sabia?). E esse meu fascínio já teve vários nomes, sobrenomes e endereços. Já foi dança, reencontro, descompasso, sorriso, cura e prece! Já se transformou em amor ou regrediu pra quase nada. Mas foi terno, doce, muito doce!
Eu amo como ama o amor. E nem sempre é tão fácil. Procuro atalhos, ás vezes desvios. Tropeço em mim ,seguro adiante. Atropelo etapas, tenho muita sede ou transbordo. Tenho uma queda nada discreta por pronomes possessivos e adoro chamar qualquer coisa de minha e gosto ainda mais quando elas realmente me pertencem. Odeio o ciúme, mas sinto até pelo que não é meu. Adoro paradoxo, tento o tempo todo unir opostos! Sou apaixonada pela paz que encontro na casa de Deus, ao mesmo tempo, me encanto com pessoas que tem o dom de me tirar o sossego – sério, eu praguejo contra elas, mas as adoro! Gosto de me sentir segura, mas perder o controle também tem um bom sabor. E pronto, sigo variando por extremos!
Sendo assim, reitero, estou mesmo apaixonada. Vocês estão certos desde o início. Todos os dias eu descubro uma paixão nova, esqueço as antigas, tenho recaídas. Entro em desespero, Deus me pede calma, eu peço paciência. E gosto disso – de verdade! Essa sou eu, desde os 04 anos de idade – ou antes, vai saber... Uma coisa é certa, nunca vai haver paixão singular por aqui! Quanto aos seres teoricamente pensantes, no dia que eu sentir – mais uma vez – aquela velha vontade de doar-me, eu o farei. O que for sentido, só interessará a um alguém e ele saberá, através de mim, todas as vírgulas que eu hei de dedicá-lo. Enquanto eu não fizer uma confissão clara e objetiva de sentimento, não se iluda, se ele existir, não é sólido ou não é suficiente! Enquanto só as suposições existirem, é sinal que eu quero continuar sendo só minha! Sem meias palavras desta vez, talvez com meias verdadesvocês não esperavam que eu esquecesse do mistério, esperavam?

"Fiel à sua lei de cada instante. Desassombrado, doido, delirante. Numa paixão de tudo e de si mesmo." (Vinícius de Moraes)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Parabéns, vozinha!

E eu sabia que inevitavelmente esse texto existiria, talvez só mentalmente, perco o prazer da escrita quando a coisa é premeditada. Mas sempre me propus a escrever sentimento, esse não poderia passar – literalmente – em branco. Há um ano, eu estava manchando papéis com dor, rabiscando meus soluços e o meu medo de não ter força, perdida no meio de rostos dóceis e conhecidos, que por mais que tentassem, não me trouxeram nenhum alívio. Você tinha ido e eu não te dei sequer um último beijo na testa, não segurei tua mão quando o medo se igualou a fé (tenho certeza que em momento algum, ele superou o que você tinha de mais forte), não sussurrei no seu ouvido que tudo ficaria bem. Dia 25 de setembro de 2011, tudo que eu mais quis foi voltar no tempo ou pedir que ele parasse, pra que eu também não precisasse me mover. Doía e eu não tinha ideia de como seria dali pra frente e você, vózinha, não ia está aqui pra me dizer
Durante essa semana, eu fiquei imaginando quão mórbido isso seria, se valia mesmo a pena relembrar toda dor. Engano meu, doce engano. Ainda dói não te ver na última cadeira da mesa da cozinha, lembrar de você à cada procissão. Ainda dói saber que jamais verei aqueles olhos inocentes outra vez. Mas não há espaço pra morbidez! A saudade machuca, mas não há ausência! Nenhuma... Você está comigo e em mim! Você está em cada Ave Maria que eu rezo lembrando do seu sorriso devoto, está na felicidade das reuniões em família que sempre foram e continuam sendo por você! Está nos meus sonhos profissionais cada vez que lembro do seu orgulho. Está, principalmente, quando penso nos meus filhos e nos muitos dos seus ensinamentos, que eles indiretamente receberão! 
Sendo assim. Está decidido! Sem ausência, sem tristeza! Com muita saudade e muitas recordações de um tempo que não volta, mas não se esquece. Há um ano, eu não sabia como seria, eu nunca soube lidar com perdas, mas até ali, perdas definitivas só por ter chegado fora do horário. E devo dizer, me perguntei se este não foi o maior problema. Não estive aqui, não consolei os meus e não fui consolada, não a vi adoecer, ter medo, não a vi morrer. E hoje, fico grata! Não tenho imagens do teu sofrimento, da dor que tantos tiveram na hora de te dar adeus, não tenho lembrança alguma do seu corpo dentro de uma caixa de madeira... Eu lembro da tua voz rouca, dos meus sábados ao teu lado, das suas birras e das suas falsas “brigas” cheias de amor com meu pai. Eu lembro da sua fé, dos seus exemplos. Eu lembro de você, sendo você...E isso não há nada que pague! 
É um ano de não ausência. Um ano de saudades. 365 dias que você foi fazer o que sempre fez, olhar por nós, só que agora muito bem acompanhada, acordando sob a janela e os cuidados do nosso Deus. Então me diga, por que, por que tristeza? Por que regrar esse egoísmo? Eu sinto sua falta – demais e ainda desidrato sempre que vejo ou penso nos lugares que inevitavelmente ficarão vazios, na mesa, na missa, na minha formatura e casamento. Mas tenho certeza que você nunca esteve tão bem, tão segura e tão satisfeita... Repousando nos braços de Cristo, coberta com o manto da nossa mãe. Ora, fechos os olhos e largo um sorriso. Isso não dói, isso aquece
Não achei motivos – e nem quero, pra dar a isso aqui um tom meloso ou fúnebre. Eu só estou tornando público um de nossos diálogos, vó! Só estou mostrando que eu não tenho porque falar de morte, quando houve uma vida inteira de amor! Não tenho porque falar em fim, se você está eternizada no coração de cada um de nós. Eu não tenho porque não ficar grata pela felicidade que eu sei que você sente agora! Continue olhando por nós, porque de você, lembramos sempre! Continue sorrindo pra iluminar o caos que se instala nesse mundo. Continua aqui, comigo, em mim! Você não acreditou que eu te deixaria mesmo ir embora, acreditou?


Eu te amo, vozinha! Parabéns pelo primeiro ano ao lado do teu, do nosso Deus!

"Não, eu não vou perder a fé, nem desistir. Foi você que me ensinou antes de ir, vou vivendo assim, conhecendo o coração que você fez pulsar em mim ♪"

Quem se interessar, pode conferir aqui o texto feito há um ano atrás...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vem comigo, sem medo!

"E quando o nó cegar, deixa desatar em nós"
(O Teatro Mágico)


Então, eu já te disse que tenho claustrofobia ou algo parecido com isso? Bom, o fato é que multidões e lugares pequenos e fechados me causam pânico. Me desespera não ter como me mover, não ter como sair, me parece que o ar vai acabar a qualquer instante e eu vou agonizar até morrer. Trágico? Um pouco. Tem mais de futurismo do que de tragédia nessa coisa toda. Mas não é irônico e digo, um tanto ridículo, saber que eu vivo me espremendo em lugares fechados, pequenos, escuros, mórbidos só pra ver/ter um pouco mais de você? Tentando imprensar-me nas frestas que você, por mero descuido (ou não), deixa aberta? E eu padeço à ideia de ficar longe. Não me movo, não vejo saída e o ar acaba mesmo – todo instante. Mas eu não desisto, porque há alguma coisa nesse seu sorriso que sussurra pra que eu não me vá, um olhar inocente de quem tem culpa, de quem deixou a janela aberta propositalmente, porque sabia que eu estaria ali e que entraria correndo, sem pensar uma única vez, quando você precisasse. Elevador, nem pensar. Mas ‘elevar a dor', o tempo inteiro! (Grata pelo trocadilho, Ana Carolina!) 
Mas me ensinaram a ser educada, moço! E embora eu esteja na janela, na porta entreaberta, atrás das cortinas, consertando pela milésima vez o seu maldito foco, eu não vou passar disso! Não sem um convite e um lugar confortável me esperando, não aceito menos que a sua cama e o seu coração, certo? Apesar de me submeter a certas condições, eu ainda sei o valor que possuo, não aceito menos do que mereço! Só não chora, não me olha assim, só não me mostra - sem dizer - que precisa de mim... Porque isso não vai me fazer invadir o seu abrigo, mas vai despedaçar o que já não está inteiro. E eu vou começar a escolher a plateia, os personagens, retocar tua maquiagem e preparar teu texto! Você vai brilhar, sei disso – já fiz isso antes. E vai emborajá vi isso antes. E lá na frente, vai perceber que não sabe improvisar e vai voltar... escancarar portas, janelas e cortinas e não vai me encontrar! É uma pena, porque eu estou aqui agora e todo público já percebeu, mas você insiste em só olhar pra o que o foco dessa peça sem graça te mostra. Eu estive aqui, mas quis, o tempo inteiro, estar aí! 
E te digo mais, eu me denuncio vulnerável e sou, mas jamais – ou não mais – dependente. Desintoxicação... Vivo, recordo, me despeço com ar saudoso, apago. De vicioso, só esse ciclo nostálgico! É uma pena que só posso fazer isso pra o que há de material – e é tão pouco, diria, quase nada! Da minha memória e teimosia, nada escapa! E naquela conhecida hora que antecede o sono, as duas me fazem um breve resumo de tudo e me gritam um ‘tic tac’ irritante só pra lembrar que o tempo está esvaindo, que a canção está diminuindo o tom e que já está na hora desse espetáculo todo ter um desfecho. E provavelmente, você vai continuar ignorando a pessoa que tirou do teu caminho às pedras, que te fez confiar em si, mas que admite, não conseguiu te arrancar o medo
Medo. Tenho muitos, das mais variadas formas... Aprendo a lidar com eles todos os dias. Minha claustrofobia é um dos únicos que não enfrento, vai que eu não viva pra contar história? Certo, sem mais tragédia. O fato é que odeio sentir medo, mas me proponho a carregar parte do seu! Vem comigo e eu te mostro que dá pra ser dois, sendo um só. Eu te ensino a ser livre, estando ‘preso’. Eu te provo que o coletivo, nada mais é, que o individual bem trabalhado, transformado em algo maior e mais pleno. Carrego parte do teu receio, da tua aversão, levo comigo mais uma parte de ti, além daquela que já está em mim. Mas não posso fazer tudo. Não vou te convencer a confiar, esta decisão é só sua! Irônico é saber que o teu maior medo consiste justamente nisso, você sabe que pode, e mais, você confia e isso te apavora, a ponto de ter que ignorar a mim e as minhas discretas contribuições na sua vida. Cara, eu oculto sentimento com indiferença, eu sei fazer, sei distinguir, não vai ser útil pra você! E eu falo sabendo que não vai me dá ouvidos, no máximo aquele olhar de lado que eu adoro e que me diz: “Você está certa, mas isso não é vida pra mim”. 
E como todas as outras vezes, vai ser mais fácil fingir que nada disso foi dito. Pois bem, deixe-me ajudá-lo (mais uma vez)! Não há texto, não há sentimento algum... nem meu, nem teu! Não há nada, além do meu eu, vivendo o que me cabe. Não há saudade, nem há uma vontade discreta de ser um pouco mais. Também não há desejo, nem nada pra ser confessado... nem por mim, nem por você! E se você acredita mesmo nisso, o tempo já passou e não há mais porque te escrever. Espero que ainda haja foco e nada mais!


Então, vamos ver por quem eu estou apaixonada dessa vez? rs.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Além do que se vê

E eu falo mesmo de mim ou convenço meia dúzia de pessoas disso. Eu pareço me expormas acreditem, é só impressão! Tenho um calculismo muito bem trabalhado, moldado só para as necessidades. Ora, eu me oculto o tempo inteiro! Escrever já é um meio de fuga, uma cabana iluminada que uso como refúgio. As ideias, palavras, ‘sentidos’, me invadem sem esforço e pelo meu fascínio, me vencem fácil! Mas eu as conduzo e as uso como escudo, estou sempre por trás de tudo! Nas entrelinhas, sou só eu, despida de ironias e contenção. Mas quem as vê? Quem as lê? (in)Felizmente só quem conhece cada vírgula antes que sejam escritas. Não parece útil, mas é... Eu sei que é! 
E é nessa de esconder-se que às vezes me perco, é nessa de esconder-se que às vezes perco alguém. E perco mais um pouco. Mas já é tão meu, que acostumei! Acredito que quem vale a pena, sempre dá um jeito de me encontrar, de me dá uma bronca e confessar que eu fiz falta. Sim, eu acredito mesmo nisso! A verdade é que sempre acho que em lugar nenhum (Isso inclui pessoas! E como inclui...) há estrutura suficiente pra suportar tamanha intensidade. Sério, imagino uma verdadeira catástrofe se de repente, eu expusesse tudo que eu penso ou tudo o que eu sinto. Penso nas coisas desabando com meus exageros e devo confessar, essa ideia muito me agrada! Mas meu bom senso ainda me manda um alô de vez em quando e freia esse tipo de impulso que eu, particularmente, adoro! Conheço os perigos desse caminho, mas posso dizer sem medo, que foram eles (sim, os perigos mesmo) que construíram os melhores e mais felizes momentos das minhas 20 primaveras. 
É nessa que eu sigo... Me permito sentirsempre! Mas me contenho o tempo inteiro pra liberar as ‘doses certas’, sem saber se há dose certa, muito menos qual é! Ignorando o fato de que provavelmente existe alguém que não está nem aí pra isso e que quer mesmo embriagar-se em mim, comigo! E esperando que meus impulsos me tomem e eu não perca mais nada com isso. Assim, eu pecaria sempre pelo excesso e há quem diga que esse é o melhor jeito - eu ainda não sei o que eu acho, o excesso ou a ausência? Equilíbrio me parece tão morno, tão chato! É por isso que eu me construo em meias palavras, em meios olhares, aquele papo de ‘para um bom entendedor...’ É uma pena que haja tão poucos bons entendedores e cá pra nós, eu não sou uma leitura tão fácil. Volto aquela de ‘as pessoas que valem a pena’... 
Apesar de assumir quem sou, de vez em quando penso no que mudaria, caso eu não me contivesse. Qual resposta eu teria se soubessem que abri mão de mim, para protegê-lo. E o que meu pai diria se eu dissesse que já quis mudar de cidade pra viver ao lado de alguém. E o que diriam se soubessem que já fui tomada por uma aflição tão grande, que passei mais de uma hora entre choro e oração pedindo que o meu Deus (que sempre se inclina pra escutar-me) olhasse por esse alguém que eu ‘acabara de conhecer’ e já devotava um carinho imenso. O que tantas outras pessoas diriam se soubessem o quanto eu penso nelas, o quanto eu sinto, o quanto eu dou um jeito de protegê-los, olhando suas vidas através do espaço que me concedem. Não sei, de verdade não sei, talvez fosse caloroso o suficiente. Mas é aquela ‘a dúvida é o preço da pureza’ e se é...
Pois agora vou me expor (ou não, rs)! Eu tenho em mim todo amor do mundo e ás vezes as formas mais estranhas de demonstrá-lo, tipo, uma indiferença idiota que nunca reflete o que de fato eu sinto ou penso... E caso já a tenha visto, acredite, eu tenho muito a esconder de você! Minha transparência absurda não me dá opção, tenho que ficar distante pra não ser traída por mim mesma. E nesses momentos, eu devo está morrendo por dentro, com o coração minúsculo e esperando que você vire as costas pra que eu possa, enfim, desabar! Sem entrelinhas, tou dizendo que não sei ser alheia! E me entrego tendo a consciência que pras pessoas erradas, essa informação só ocupa espaço, jamais saberão trabalhar com ela

 Por fim, apesar das interpretações errôneas, das entrelinhas inventadas e divulgadas, devo dizer que tenho recebido um retorno muito bom com o blog. Tenho leitores assíduos e preocupados em diferenciar o que está me atingindo e o que nunca esteve próximo. Estarei sempre por aqui, com greve ou sem greve, esse monólogo de respostas tardias tem me enchido de recíproca, que por vezes, eu nem sabia que tinha!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um domingo - apenas um.

"Todos os cálculos indicam  uma vida curta demais, 
mas seguimos seguindo como se fôssemos imortais" 
(Humberto Gessinger) 

É domingo. Casa razoavelmente movimentada. Tira gosto, cerveja e futebol. Como eu disse, domingo. À minha direita, na cadeira do canto da parede, alguém de olhos vagos, apáticos, quando não fechados. Um hematoma enorme no braço esquerdo - espantei-me com o tamanho e aspecto. No supercílio, quartoze pontos mal suturados. Na mão, o velho cigarro de ‘toda vida’. A mente (des)ocupada por ilusões, vício e dependência. Não que eu não tenha acostumado, é óbvio que já me adaptei (embora não quisesse, o 'dever' me obriga). Esquinas, hospitais, viadutos, sempre há exemplos, mas dentro da minha casa, sempre choca, apavora, me trás o maldito sentimento de impotência que me corrói desde que me conheço por gente. Minha necessidade em ser útil me rumou pra medicina, mas foi minha necessidade de ser gente – gente de verdade (carne, osso e principalmente coração), que me trouxe até aqui. E eu não consigo (nem quero conseguir) ver alguém reduzido aquilo. 
Repito, é domingo. Tira gosto, cerveja e futebol. Futebol. Eu, minha camisa, minha bandeira e minha histeria de sempre. Primeiro andar, preciso ficar só! Mas estou ciente, alguém pode precisar de mim lá por baixo. E não demora. Ele sente dor – faço massagem; Ele pede cigarro – contrariada, o atendo! Volto pro jogo. Ele pede água – desço as escadas e o sirvo. "A chance é boa, Denis Marques domina e ...” corro pro ‘pé-da-escada’, ele me chama do outro lado. Nada de gols e nada de jogo. Ele quer analgésico, procuro e o medico. Subo as escadas. Ele grita por mim, aliás, pela minha irmã, está absolutamente convencido que me chamo Iara. Mas é a mim que ele chama. Desço. Ele quer os trilhões de remédicos cotidianos, o ‘controlado’, o de pressão, aquele azul que ele nem sabe pra que serve – separo todos, pego água e espero enquanto ele engole todos de uma vez. Primeiro andar, empate irritante. Escuto o nome da minha irmã, na voz dele, na voz que eu sei que chama a mim e não a ela. Desço, subo, pego isso e ajeito aqui, desço, volto, xingo o juiz e o comentarista, pego mais água. Chuto a cadeira, gol do adversário, partilho a raiva, desço de novo, volto, grito gol, corro, ajeito, sirvo, confiro. Cara, cansei! ( o que não quer dizer que parei de atendê-lo, certo?) E entendo, embora não aceite, o porque de ausentar-se da responsabilidade! 
Enquanto o via vegetando sob a fumaça do cigarro, pensei na morte. O vi chorando mais uma vez, triste, apavorado. Repensei na morte. Seria a liberdade que ele procura? Sem vícios, sem vozes e sem os trilhões de remédios... Seria um alívio? Alívio, pra quem? Pra quem cuida ou pra quem é cuidado? Sem epitáfios, o papo já está mórbido. Mas olhando pra quem não espera mais nada, eu me apego ainda mais a vida, a minha intensidade e minha mania de gostar rápido demais das pessoas, às minhas decepções, aos meus silêncios, aos meus medos... sim, meus medos, por que não? É ótimo saber que ‘tenho tempo’ pra superá-los, melhor é saber que o tempo é incerto e que isto tem que ser feito agora. Amanhã (se houver amanhã), eu terei outros medos e outros sonhos e que podem ser os últimos, sendo assim, preciso superá-los e realizá-los. A brevidade, por esta óptica, é linda. Traiçoeira, mas linda
Já é Noite. Volto da igreja. Conversas particulares na cozinha, espero na sala de som. E epa, o que o acústico MTV do engenheiros do Hawaii tá fazendo aqui? Ele deveria está no meu quarto, na minha estante e claro, no meu SERTÃO (Ainda não faço ideia de como ele veio parar na zona da mata). Pego o encarte, leio a dedicatória. O início. O início da minha história com Humberto Gessinger (Por sinal, fico grata!). O início da minha história com alguém palpável, sem platonismo. Dois meses. Início, meio e fim – dois meses. Breve. Mas aposto que ainda lembram até da caneta que escreveu os irresistíveis pronomes possessivos em letra maiúscula. E devo dizer, ainda é minha highway, em vez de infinita. E foi breve, num foi? 
Próximo das 23 horas. Telefone. Horas e horas regadas a coração, abrigo, confusão e religião. Eu estava me ouvindo, conversando com quem eu era há um tempo atrás, só que com mais juízo, mais sorrisos e mais amor. Aquela sensação aconchegante de que não há solidão. Um espaço cativo no miocárdio por três ou quatro dias de convivência. Pois bem, foi breve e agora é eterno. Está escrita nos textos que ela tanta elogia, enquanto me chama (só pra me contrariar) de Lispector e diz que eu, definitivamente, não existo! 
Quatro da manhã. Estou aqui, escrevendo intensidade em um papel ‘morto’. Eu o dou a vida. E há cor, traços, esquinas e curvas fechadas, diversos caminhos, diversos retornos. Há opções e há amanhã. Não posso escrever, reconhecer a brevidade e ainda sim, privar-me dos impulsos que me fervem o sangue. Não duvide. Eu me apaixono em segundos. Mas não se assuste, é provável que nem saiba, mas devo dizer, caso eu te conte, não me perca! Seja breve, mas seja intenso. Seja... Amanhã é tempo demais!


Mas não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir. Não queremos ter o que não temos, nós só queremos viver.  ♪

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A luta é agora!

Pôr do sol É o terceiro que me distrai. LuaJá é a terceira que me encanta. Reconheço, me esforcei... Amordacei minha revolta, engessei os dedos, mas não me contive! Distração ou encanto não foram suficientes para evitar desabafos. BASTA! Eu não vou mais engolir o que as minhas enzimas não digerem. Vou evitar intoxicações, parei de ingerir veneno! Ele não me mata (Pena, né?), mas me causa leve indigestão e não mais o farão. BASTA! 
Noite anterior. Eu estou sufocada. (Alguém aqui lembra que eu tenho pavor à multidões?). Eu vejo cartazes, muitos! Eu vejo pedidos, mas pedidos mudos! E eu tento ajudá-los. Eu grito, sacudo aqueles corpos apáticos e eles continuam mudos, inertes e sufocando-me. Acordei do pesadelo. Mas ora, que pesadelo? É exatamente isso que tem acontecido. O Brasil parado... voltando a caminhar aos trancos e barrancos, engolido por um sistema carregado de interesses. Professores abandonados ao descaso e desvalorização e pior, sendo postos na berlinda pelos próprios estudantes. Ao menos do pesadelo, eu posso acordar! 
Mais de cem dias de paralisação. Sim, a greve que pouca gente ouvia falar chegou até aqui. “Mas apressem-se professores, o dia 31 está aí, o orçamento para o ano que vem tem que ser fechado, além do mais, não estão ME vendo? Não estão percebendo o absurdo que fazem ME deixando três meses sem aulas e com todas as MINHAS férias posteriores comprometidas? Como podem atrasar MEU curso? Como podem adiar a MINHA formação? Reconheço a legitimidade da greve, mas também tenho que pensar um pouco em MIM.Legitimidade? Também? Um pouco? Ora, por favor, foi com os meus lindos professores que eu descobri o significado de ‘hipocrisia’ e ‘contradição’, mas quem me deu o exemplo foram vocês.  Muito obrigada, nobres universitários
Cara, desatem suas vendas! Vocês estão fazendo barulho (e isso é bom), mas para o lado errado! O governo, este sim, caros estudantes, deve ser incomodado com o som das suas vozes ou com mais o que quer que seja. É este que tem ignorado os teus anseios por educação, é ele quem tem te deixando nadando no ócio, é ele quem tem atrasado teu curso e tua formação. E você desconta isso em quem? Nas pessoas que estão lutando por uma educação digna? Lutando pra te dá melhores condições de construir – com eles e com o auxílio deles – o conhecimento? E mesmo que não reconheça como válido tais argumentos, tá descontando num trabalhador que está fazendo valer seu direito à greve? Aliás, que está fazendo valer seu direito enquanto trabalhador, apenas. E por quê? Por causa dos TEUS prejuízos? Interessante seu senso coletivo! Quero te ouvir dizer isso daqui há uns anos, quando receberes salários injustos, não houver correção, aposentadoria digna e nem – vejam só - uma data base, quando te negarem o direito a voz. Aí eu quero saber quais argumentos você vai usar para justificar sua greve aos supostos prejudicados. E devo ressaltar, tenho ótima memória e farei questão de lembrar dos seus argumentos – hoje - tão plausíveis contra o nosso movimento (Sim, ele também é meu!
Agora, imagine só, caro leitor, andei pensando em largar minhas madeixas negras, por um vermelho vivo, trocar o meu Sertão, pela Veneza Brasileira e a minha medicina por serviço social... Não desmereço nenhuma das minhas segundas opções, afinal, elas sempre foram minhas segundas opções, mas eis que me vejo apegando-me a elas por causa de terceiros, pelo desânimo que inevitavelmente nos alcança em algum momento. Fala sério, paremos por aqui! Vamos socializar nossos sonhos e utopias... porque pra comprá-los já tem gente demais! Sejamos humanos, coletivos! Posso dizer, com absoluta certeza, que eu serei... 
Pois bem, decreto Greve! Isso mesmo, greve! Sem negociação (É moda, não é?). Greve do que e de quem não me acrescenta nada, além de dor de cabeça e vontade de ficar pelo caminho. Sei que será só mais uma,diante de todas as outras deflagradas no país, com uma diferença... essa é minha! Só minha! Não vai prejudicar ninguém, parar rodovias ou jogar jovens sedentos por estudo no ócio. Vai fazer bem para minha pele e meu humorNão é fantástico? Sinto muito pelo alto grau de ironia, mas eu precisei revestir minha revolta. Uma pele áspera coberta por veludo sempre é mais apresentável!
Como já havia dito antes, escrevo o que eu quero fazer eterno. Pois bem, eternizo aqui minha vontade de mudança, não me deixarei corromper e não cederei a este sistema! Peço desculpas se os assuntos aqui estão monótonos, é que vivo rodeada de gente, eu as estudo, eu as analiso, eu as amo. E é por isso que vario entre o social e o amor, o que pra mim é a mesma coisa. Porque sem amor, não há social. 

 Sendo assim, que a greve se pinte de povo e que o povo se pinte de amor!


A Greve é FORTE! A luta é agora!
Podem crucificar, continuo permitindo ;)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

No nosso peito bate um alvo muito fácil.

Eu tenho distúrbio alimentar. É, tenho mesmo! Como muito ou não como nada, não há meio termo... Aliás, essa história de meio termo sempre foi meio dúbia pra mim, digo que não sei ser extremista (Exceto quando o assunto é o Santa Cruz Futebol Clube, óbvio), mas tenho pavor à coisa morna, odeio esse tal de ‘meio termo’. Contraditório? Talvez. Conversa pra outras linhas... Mas voltando... Minha introdução confessa é explicada facilmente, as ideias me invadiram enquanto eu preparava a minha terceira ou quarta refeição da noite (Falo sério, infelizmente!), amanhã deve ser um dia vazio – pelo menos para o meu estômago...ou pra mais de mim
É próximo de meia-noite. Dias atuais. Estou na minha casa, aliás, na casa dos meus pais – que já não é tão minha. Na sala de janta, em frente ao quarto onde os dois dormem abraçados com a TV ligada para distrair seus sonhos. Por mais frequente e corriqueiro que seja encontrá-los assim, eu sempre desenterro um sorriso discreto de satisfação... Um sorriso e alguns sonhos encantados que eu tinha antes de quebrar a cara uma, duas... mil vezes. E aí eu lembro da fé que eu tinha nas pessoas, de quando eu pensava que só existia o bem e o bem. Sinto falta e lembro como foi difícil desacreditar. E repenso nos meus sonhos encantados... Doce ingenuidade
Ano de 2009. Aulas de física. Assunto: Gases. Aquela velha comparação do gás ideal e do real. Reconheço, sempre fiquei chateada por não haverem gases ideais no mundo, gases que atendam lindamente a todas as expectativas atmosféricas. Quem dera fosse restrito a isso. Tenho estereótipos para tudo. Minha vida, amigos, ex e futuro(s) namorado(s). Agora sou crescidinha, já não espero os ‘ideais’. Mas admito, meu coração está sempre querendo ditar caminhos: “Pela esquerda, man! Pela esquerda!’ Ele vive pra gritar isso. Aliás, ele quer rumar o mundo, tem uma estranha mania de achar que sabe muito e se irrita fácil quando não o escutam. Sabe o que é pior? Na maioria das vezes o infeliz está certo!
Ano 2012. Mês não informado. Manhã de brisa leve. Apaixonei - pensei de imediato. Casa comigo? - Pensei dois segundos depois. (Engraçada essa minha mania de pedir às pessoas que eu gosto em casamento, isso lá é prêmio decente?). Semelhança tão grande que chegava a ser estúpida. Afinidade. Expectativas. Decepção. Mas ora essa, óbvio não? Eu o crieieu, minha imaginação fértil e o meus sonhos encantados. E acabei não o enxergando de fato. E ele era lindohoje eu sei. Penso em fazê-lo um convite um dia, um café – ou um vinho. Disposição para conhecê-lo sem a minha interferência. Mas confesso que é quase impossível ignorar os gritos do meu coração metido a sábio, e por ele, eu chegaria a este encontro dizendo: ‘Não insulte a minha inteligência. Sua liberdade é o seu escudo. Não fuja, se assuma, me assuma! Me ame...’. Alguém duvida que este ser humano jamais voltaria pra café ou vinho? E com toda razão, vale ressaltar... 
Uma hora da manhã. Dias atuais. Estou aqui a analisar-me... Tenho um defeito (Um? Até eu ri)...Eu sempre espero muito. De mim, das pessoas, de tudo. Ensinaram-me a ser assim! Como? Esperando muito de mim... Muitas vezes fui até o máximo. Sangue, suor e lágrimas – até a última gota. E não foram raras as vezes que não me dei por satisfeita - mesmo quando não havia mais o que ser extraído, e continuei, e desabei, e reergui... e ninguém estava aqui, ninguém percebeu. Sabe por quê? Porque sempre me pegavam com um sorriso discreto de satisfação em frente ao quarto dos meus pais, revivendo meus sonhos encantados e reativando a minha fé nas pessoas. E eu os culpo, sabe? Sim, os culpo... Por toda às minhas decepções nesse ramo infame de vida amorosa. E por quê? Porque eles se amam. Porque são a minha prova cotidiana de que o amor existe e os olhando eu não consigo duvidar disso. E aí, eu volto a acreditar nessa coisa de vida a dois, filhos e casinha no campo. E acredito que ainda que eu cometa a loucura de concordar com meu inconveniente coração, eu não precisarei dizer nada para o ser humano do café ou vinho. Ele perceberá por si só e será a parte encantada dos meus sonhos. (ô, olha só! Num é bonito? Desculpa, eu tive que ser irônica pra quebrar a melancolia!) 
Duas horas da manhã. Dias atuais. Meu coração grita, sussurra, canta e arrisca-se até a dançar. Está inquieto. Radiante - e já adianta... meu estômago será a única coisa vazia por aqui!. Fico tentando traduzi-lo... Ele grita para que eu me cuide e sussurra pra que eu cuide dele. Zomba dos meus ciúmes, mas pede que eu não me assuste. Confessa que há mais gente com medo de dependência. Ele canta o amor. Ele descreve o desejo. Ele pede que só por hoje eu o escute e acredite nele. Pois bem coração, sou toda à ouvidos (por hoje e por todo sempre)...

"Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar ♪"

sábado, 25 de agosto de 2012

Prazer. Sem motivos, nem objetivos!

Um gole de café. Chuva, o chiado persistente da televisão. Caneta e caderno velho. Pronto, o mundo despenca em forma de palavras, na forma de sentidos dúbios e confusões de quem ainda não se conhece por inteiro. Outro gole de café. O gosto do reencontro. Eu e minha sombra, eu e o meu passado. A caneta flui fácil, mancha o papel com o que eu tenho aqui dentro, nos lugares mais escuros, nos lugares que ninguém – além de mim – chegou. E nessa hora penso ser só meu, engano-me achando que eu serei a única entender a junção de todos esses conflitos, mas aí, pouco depois, descubro que dei vida ao sentimento de uma dúzia de pessoas, que por motivos diversos não o expressam. 
Eu paro. Sem café desta vez. Indago. Como não expressar-se? Como amontoar tudo como se o espaço fosse infinito? Já me escondi sim, já amordacei sentimentos que insistiam em gritar madrugada adentro, já os alimentei com falsas esperanças pra que se contivessem - ao menos perto de quem não podia ouvi-los (que na maioria das vezes, era justamente a única pessoa à quem eles interessavam). Mas sempre os escrevi, revestidos de sarcasmo, protegidos pela ironia. Mas estavam ali e a quem interessavam ou pra quem se interessava, eles eram nítidos, desnudos, claros. Estavam ali... Não imagino estocando tudo aquilo, meu corpo não suportaria e eu não queria está perto pra ver essa explosão. Seria uma chuva de sentimentos ácidos e fora da validade, declarações acompanhadas de adjetivos nada carinhosos. Talvez um: ‘Eu te quis tanto, que eu nem me quero mais, idiota!’. Nada eficaz, reconheço... 
Reencontro... Já descrevi muitos deles, chuva fina em fim de tarde, sol escaldante em pleno meio dia, parece que eu os vejo, os vivo de novo. Sinto minha felicidade ou agonia – e foi pra isso que eu os escrevi, pra que fossem eternos. Suspiro. Desligo a televisão. Hora de encontrar-me. Devo dizer, faço isso com um sorriso orgulhoso. Gosto de mim, sério... gosto mesmo. Eu previ esse encontro e o registrei aqui mesmo nesse blog, mas eu imaginava resgatando-me de uma sala esquecida. E vejam só, encontrei-me no salão de festas, curtindo a liberdade que o vento me trazia. Mais que tudo, livre! Não sabia eu que tinha sido sufocada pelas expectativas – as minhas e de todos os outros que sempre me viram como um confortável ponto de apoio ou referência. E foi só me desfazer delas que eu me vi, me apaixonei, me vivi
E cá estou eu, caro leitor, sendo eu mesma. E o melhor, um ‘eu’ sem drama, sem aquele ar pesado de ser vítima, sem expectativas... e cheia, saturada, transbordando em sonhos e em vontade. Vontade de fazer, de refazer, de se fazer. Vontade de escrever sobre o que eu sinto, com a consciência de está escrevendo por mais alguém. Vontade de falar dos amores que eu chorei e perdi, dos que eu perdi sem ter chorado e daqueles em que eu chorei, mas ainda sim não perdi. Vontade de não me conter pra não parecer precipitada, aqui eu vou gritar a minha paixão e a minha dor... Provavelmente falarei de você, dele, de nós. Falarei e a carapuça há de servir e espero que assim como eu, ninguém se contenha. Ninguém mais se esconda
 Mais um gole de café, dois suspiros e um sorriso. Dessa vez, é isso!

Reconheço que essa postagem deveria inaugurar o blog, mas minha inspiração não respeita cronologia. Aliás, não respeita coisa alguma...

Eu mudei, cara! Mudei muito. Vocês podem perceber, fácil!  Confira aqui a postagem que o texto faz referência e acreditem, o assunto é quase o mesmo ;) [Mas por favor, não entrem em depressão, rs]

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sorrisos.

Assentamento MST. Sol forte. Um certo alguém falava sem pausa pra respirar e eu me perguntava como conseguia. (Ora essa, como se eu mesma não fizesse isso sempre). O assunto era interessantíssimo, mas eu tava entretida demais com aquele céu - ora azul, ora de um cinza pesado, partido por um arco-íris com cara de esperança. Andara cansada, quisera desistir, mas estava ali. Mal tinha chegado e já havia derramado algumas poucas lágrimas, um senhor que nunca havia me visto, falou dos seus filhos e sem saber contou a minha história. Naquela hora, embora estivesse rodeada de crianças (o que sempre me traz uma paz incrível), eu quis me transportar pra casa, abraçar meus pais e agradecer – só agradecer
E estou eu, perdida nos meus devaneios (como sempre), balançando a cabeça e parecendo concordar com tudo que estava sendo dito. E eu sei que concordava - embora não tivesse escutando - conhecia o suficiente pra saber que estavam expondo a minha opinião com um grau a mais de extremismo e dois graus a mais de conhecimento... Homem. Negro. Uma bolsa que até hoje não se sabe o que carregava, roupas sujas. Ele riu. Eu saí de mim e voltei pra terra, retribui o sorriso. Ele me estendeu a mão, apresentou-se de maneira apressada. Nome, sobrenome, naturalidade e mais alguma coisa que eu, embora tenha me esforçado, não entendi. Ele continuou sorrindo e foi embora. E eu voltei ‘praqui’ pra dentro, agora com um motivo a mais, com um sorriso e um conhecido a mais
Homem, moreno, companheiro de vivência. Aproxima-se, toca o meu ombro e só depois de alguns minutos eu percebo que estava falando comigo. Apresso-me pra acompanhar a conversa e não ter que dizer: ‘desculpa, repete por favor?’, até porque provavelmente eu estava balançando a cabeça positivamente como quem está entendendo e concordando com tudo (Sabe aquela de ‘sorria e acene’?)! Ele estava me dizendo que tinha ficado de olho, que aquela simpática pessoa de nome pouco comum (lelêu), era um desconhecido pra vizinhança e que provavelmente tinha participado de um assalto na cidade vizinha no dia anterior. Todos param. Me olham assustados. E eu, continuei lá, olhando pra meio mundo de pessoas espantadas. Devo ter soltado no máximo um: “hum...”. 
Não consegui mais ficar a sós comigo – não pelos próximos minutos. “O que ele disse? o que ele fez? Como foi isso?” Cara, eu apertei a mão de um cidadão que me deu um sorriso. Algo a mais? Não pra mim. Devo confessar que ainda me fez bem, dentre aquela multidão de estudantes interessados na história do MST (me incluo nisso, por favor), ele sorriu pra mim, parece que estava lendo minhas reflexões sobre o céu cinza e o arco-íris da esperança. Me fez ainda melhor ele não ter se importado com quem eu sou, de onde eu vim, nem o que eu faço. Porque haveria eu de me importar? (Eu não vou perder minha cautela por isso, certo? Ainda sigo os conselhos da minha mãe e não saio falando com estranhos pelo mundo – até saio. Mas enfim...) 
Petrolina. Ano de 2010. Noite. Mulher, branca, bem vestida, simpática – bem simpática. Devo confessar, nessa época eu me continha e ao menos num ambiente sociável conseguia ater-me a conversa e deixava os devaneios para a madrugada, o frio e o meu fiel escudeiro (caderno ou notebook). A conversa tava um tanto tediosa, mas as companhias eram boas... Então, o que você faz? (Até hoje eu odeio essa pergunta). – Faculdade, respondi. (Como se não soubesse a pergunta que se segue). Que curso? – Medicina (Nunca pensei que eu tivesse vergonha de dizer em outras palavras: ‘pois é, realizei meu sonho’). A velha pausa dramática, a expressão de espanto com um sorriso intruso (me sinto um ET nessas horas e falo sério), os adjetivos que exaltam a inteligência anormal que eu não possuo. E aí, a velha expressão de desentendida (de sem jeito mesmo) e as tentativas inúteis de desviar o foco da conversa. Pronto, na cabeça desta senhora feliz (e de algumas outras pessoas), há status. Eu fico rindo e me pergunto o que ela pensaria se me conhecesse dançando ciranda, levantando poeira com pessoas lindas e alternativas. Ela diria que eu era uma estudante de medicina? A comida preparada para mim teria o mesmo sabor? Aliás, haveria comida? haveria convite? 
Palmares. Dias atuais. Janela aberta, chuva fina. Cá estou eu, comparando sorrisos e situações. Um possível assaltante e uma senhora de classe média alta (ou só alta, vai saber). Ainda acho que o primeiro enxergou mais de mim em dois segundos do que a mulher bonita em 3 horas de conversa. E ninguém ficou de olho nela e ninguém veio me perguntar o que ela havia dito. O que ela diria se eu dissesse que dormi em assentamentos do MST, que tenho o sonho de trabalhar nos hospitais públicos e não na confortável clínica do irmão dela? O que ela diria se eu falasse que conheci pessoas sem ensino médio e que sabem tanto sobre tanta coisa, que perto deles eu não me atrevo a abrir a boca - eu só os escuto. O que ela diria se eu falasse que preferi o sorriso daquele homem negro de nome pouco comum, do que os bilhões de sorrisos despreocupados que recebi dela no meio da noite? O que ela diria se eu dissesse que não é ela à quem eu quero servir?
Imaginem então, se ela descobrisse que eu não estou preocupada com o que ela diria? Que a mídia já me diz isso todos os dias e que eu me perco nas minhas músicas pra não escutá-la? Imaginem se ela me visse querendo ouvir os que silenciam ou são silenciados? Imaginem só... 
 Fim de texto. Calor confortável no coração. Esperança. E um – apenas um – sorriso em mente. (Imaginem se ela souber que não é o dela? rs

 (Este é mesmo o céu e o arco-íris em questão)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quase sempre tou em paz.

É que tem é tempo que alguém me disse, que como cidadão, todos temos o direito de ir e vir, em tempos de paz – por favor (Devo dizer que sempre achei hipócrita, ‘paz’ caracterizar ausência de guerras). Mas alguém pode me dizer, de que isto – a que chamam de direito – serve quando não se sabe de onde veio, muito menos pra onde vai? Se a pessoa é incapaz de reconhecer-se como cidadão, de reconhecer-se como alguém que pode e deve ter mais que um pedaço de papelão na porta de algum ponto comercial fechado pelo avançar da hora? E ainda me falam de direitos...

Eu me embriago com as boas companhias, dentro do meu confortável bolero que me protege do frio. No rosto, nada mais que um pó pra esconder as velhas olheiras de quem não costuma dormir quando precisa. Enquanto isso, ao meu lado, ela - com o rosto pintado de muitas cores diferentes, embriaga-se com a ausência da lucidez, com os devaneios de quem não se reconhece como ser pensante, digno da capacidade de se fazer mundo, devaneios de quem não se reconhece. Sem mais. 
Tão humana quanto eu, cérebro desenvolvido, polegar opositor (direitos autorais: Ilha das flores), um ser racional. Mas ora essa, quem se reconhece quanto ‘homem’, se não há sociedade? Se a marginal sempre foi o seu ‘habitat’ e ninguém nunca parou pra demonstrar afeto ou ao menos interesse? Quem se reconhece, se nunca pôde olhar pra si?

Eu continuei tomando minha cerveja, ela me olhava curiosa. A música tava boa e eu, parada? Fora de contexto. Ela dançava, ela ria e achava o máximo quando eu abraçava ou beijava meu garoto... Por vezes ameaçou aplaudir e eu, constrangida com meu conforto, desviava os olhos marejados. Eu fazia parte dos sonhos dela, porque ainda que não se tenha ideais, há sonhos. E eu, daquele ponto de vista, era uma princesa vestida de modo pouco tradicional, que não dançava porque os sapatinhos apertavam-me os pés, mas que tinha um príncipe, cuja carruagem está escondida só esperando por nós. E o que eu tomava não importa, eu não precisaria de mais nada pra viver. 
Mas ela precisa, de muito mais. E eu também sonhei. Ela era uma princesa, que tinha direito a casa, comida, educação, saúde e segurança. Nada de margens, era um ser social, que tinha boas conversas comigo à respeito da família que acabara de construir. Que tinha fome de intelecto e oportunidade de saciá-la. Que teve um caminho que a guiou das margens, para sociedade. E eu fui um pedaço deste caminho. Cara, eu sonhei...

E eu, que um dia deixei claro a preferência pela solidão, me deixei ser tomada pela vergonha. Eu não estou só se eu tenho a mim, aos meus objetivos, à toda uma sociedade que de certa forma, me olha, me nota e de vez em quando até me parabeniza. Dessa forma fica fácil, a solidão sequer é opção...

 Eu não estou só, se aos olhos daquela mulher, eu sou ‘a garota dele’. Mas e ela, quem tem? E ela, quem é?

"No novo tempo, apesar dos perigos. Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta pra sobreviver ♪"

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tudo pela metade.

Eu gostei dos seus óculos, você do meu sotaque. Eu quis perguntar ‘onde vende?’, você ‘de onde é?’. Mas aí, eu gostei do seu sorriso, você, do jeito nervoso com que mecho no cabelo... E num meio desses sorrisos, desses óculos, cabelos e sotaque, nós nos gostamos. Consumimos nosso tempo, consumimos nossa chama. Sem pressa, sem passado, sem passo. Eu conheci teus tons, principalmente os baixinhos ao pé d’ouvido, me chamando pra ser tua, se fazendo meu. Eu adorava teus olhares, mesmo aquele que me gritava por ciúmes, principalmente aquele que ia sumindo vagarosamente - até fechar-se por completo, de quando eu me aninhava em teus braços. E eu fui indo, invadindo tua estrada, fazendo teu caminho... Até chegar ali. Era escuro, sórdido, aparentemente inabitável. Mas alguém já havia estado ali e não me parece ter saído de maneira amigável. Improdutivo, deserto e estranhamente convidativo. Uma tarde, uma única tarde, foi o tempo em que consegui ficar. Estávamos à beira do mar, sendo só nós, ‘de nós’ e eu estive ali. Pena você ter percebido... Abriu a porta e com um sorriso desconcertado me deixou claro: Aquele era teu lugar, só teu. Eu quis ficar, já quis voltar, mas sem sucesso. Eu tinha chegado ao nosso limite. Sem avanços, alguns retrocessos, mas progressão não mais. Nunca mais
Eu já tive salas vazias dentro de mim, eu te entendo. Hoje estão abertas, bem aconchegantes, seus sapatos ocupam o chão, seu perfume o teto, nas paredes nossos resquícios de suor, de perfume, de vida... É nosso, tem ar e tem cor e eu poderia tornar o teu quarto escuro tão bonito quanto, mas não... É proibido pra mim, aliás, até pra você. Não sei quem saiu de lá, mas sei quem ficou. Teu medo é sensato, mas pra que diabos você quer sensatez? Eu gostei do teu óculos, você do meu sotaque. Volto a perguntar, pra que sensatez? E você ri, como sempre ri. Diz ser – momentaneamente – inteiramente meu, mas isso eu já sei. A tua parte que não é minha, também não te pertence... é ou foi de um alguém que não quer ou não pode voltar - e eu já não sei se devo ficar feliz com isso. 
E sempre que somos só nós, te vejo recuar, esconder-se entre os meus cabelos, meus sentidos. Esconde-se em mim pra que eu não o veja. Cara, isso é sério? Com tanta coisa ruim no mundo, você se protege de mim? Eu sou teu veneno e teu remédio e a cada dia que passa, você fica mais confuso, sem saber como livrar-se, se quer ou se tem que livrar-se. Eu te chamo, eu te amo, eu te quero, mas por inteiro, sem salas vazias trancafiadas por fantasmas que eu – sinceramente – não quero conhecer. 
Enquanto isso a chama finda, enquanto você não se decide, ela acaba, me acaba, ‘dá cabo de nós’. Enquanto você está brincando de: ‘quem eu devo ser?’, eu perco o sonho de quem seríamos se fossemos doiscompletos e plenos. Enquanto você oscila entre o piano e o bar, eu tomo o vinho e a nossa música passa sem nós. 
 Vem, apareça, seja. Ainda tempo, ainda é tempo! 

 É um direito teu evitar a dor, caro leitor! Mas que fique claro, evitando-a, você evita todo resto!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Centro

Luzes das mais variadas, focos dos mais diversos e eu aqui, com um bloco de anotação mental e a caneta de tinta fresca. Ninguém me nota e eu me esforço para tal. Preciso da observação imparcial, o olhar nada crítico da manipulação. Estou no centro do salão e eles todos esbarram em mim com o pesar de suas vidas e eu? Bom, eu escrevo.
Canto esquerdo, direção norte. A menina presa às rédeas de alguém que não viveu. Ela não ousa – nem pode, cruza as pernas de forma nervosa com o intuito de distrair alguém já acompanhado. O riso é comedido, os sonhos limitados ao travesseiro. Não sabe pra onde olhar, mas sabe bem pra onde queria está olhando. Move-se ao som da música que não escuta, dança no compasso de quem nunca teve ritmo.         
Direção Sul, canto esquerdo. Jovem casal. Planos estampados no sorriso, fé guardada nas mãos – discretamente - entrelaçadas. Eram felizes em baixo tom, pra que ninguém os escutasse, pra que ninguém os visse. Eram homens - Jovens, bem sucedidos e homossexuais. Neste baile de convenções, eles eram a maior e mais linda contradição.
Canto direito, direção sul. Rapaz... 22, talvez 23 anos. Parece-me sufocado pela gravata borboleta que não queria está usando, o olhar fixo ao casal à sua frente. Um ar arrependido de quem sabe que poderia fazê-la feliz, mas de quem não ousou, por medo de sentir, por medo de ser ou de ‘si’.
Direção Norte, canto direito. Casal de namorados. Ela mantém os olhos fechados, sente-se protegida e menos constrangida com o olhar nervoso do rapaz de gravata borboleta. Acomodada em sua ilusão, é incapaz de perceber o sorriso nada discreto que seu par exibe enquanto olha pras pernas da menina a quem primeiro descrevi. Nos olhos, a marca – já próxima - da solidão que ele ainda não percebera.
Centro do salão. Eu, minha mente e exaustão. Pensando quantas vezes eu já fui – aos olhos alheios - um desses estereótipos, a menina comedida tentando seduzir o garanhão comprometido, a homossexual, a garota arrependida por perder ou por ter alguém. E enfim entendendo o quanto é leve está aqui, na cadeira, escrevendo e julgando outros corpos, mentes e sorrisos.
Eu me perdi, me misturei a multidão, tentando – inutilmente – passar despercebida. Me soltei da hora e dos sonhos e ainda que trancafiada em mim, estou rumando a um encontro. Só meu, só eu. Talvez a gente se encontre, talvez eu me encontre. Talvez, caro leitor, o que eu mais queira seja continuar perdida.

 Por fim, retiro-me. A cadeira fica vazia, haverá outros clichês sedentos em ocupá-la.

"Um dia desses, num desses encontros casuais. Talvez eu diga: 
- Minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la! Até mais... ♪"