sábado, 19 de outubro de 2013

Se  no texto anterior eu escancarei minhas verdades, neste eu tentarei pisar em ovos - pra que eles sirvam de alguma coisa, já que detesto ovos. Sim leitor, uma informação irrelevante só pra mostrar que ainda falo de mim, ainda que a 'traços lentos'. Escrevo pra libertar-me, só que nos últimos dias ficar presa me foi mais cômodo. Mas eu sou muito fácil. É... Não resisto ao charme de palavras  clamando pra misturar-se sem pudor, sem vergonha na cara e até hoje não me senti constrangida.
Sábado pela manhã, ainda recusando a ideia de levantar e enfrentar meus cabelos mal humorados, o texto começou a formar-se sozinho. Seduziu-me e continuou a escrever-se sem o mínimo de ajuda  e eu claro, me rendi. Deixei-me levar. Dessa vez com consciência, nada de dizer ao fulano que amei ou sofri demais, nem ao ciclano que esperei mais sem esperar nada, nem a todos  vocês que eu sou mais.
Por hoje nada de cerveja pra regar conversas amargas ou banhar desejos confessos. Nada  de apreensão pelo que pode acontecer. Hoje eu só quero satisfazer-me até
 que me sinta cansada... Hoje quero só preencher as lacunas do meu velho caderno e dizer que eu sempre volto e não importa por quanto tempo, é sempre mágico e me dá um puta prazer, um prazer que ninguém jamais me dará. Hoje é por mim e por mais ninguém.
Nada de me rasgar inteira e confessar retalhos, peguem-me como um todo, nós merecemos isso. Vocês merecem quando me cobram, quando me acolhem, quando me procuram e não vêem mais que dor mascarada em palavras convenientes.
 Mas há mais, somos mais que isso, somos muito mais que isso e nossa relação não acabará tão cedo.
Um alô pra lembrar de nós, pra não esquecer de mim.
Minhas desculpas aos olhos puritanos... É que hoje eu realmente não tou nem aí!

Sem títulos por hoje ;)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Tá faltando peça no quebra-cabeça

Não sei como começar o texto. Pronto, assim como já fiz antes, assumo... não faço ideia de como iniciá-lo. Sei do que vou falar. Sei exatamente o que pode ser exposto, mas sempre achei inícios complicados. Ainda sim, mais agradáveis que os finais – exceto aqueles que nos dão impressão de continuidade e é exatamente por isso, pela ideia de não ser o fim. Como eu disse, inícios são sempre mais agradáveis que finais. É que poucas vezes fim significa ganho, na maioria das vezes é a perda de algo, de alguém. E eu, bom, eu não sei perder ninguém. Já perdi muita coisa na vida, muita oportunidade, muitas chances de errar na ‘hora certa’, muita chance de arriscar e sair ilesa e isso pouco me incomoda. Mas quando o assunto são pessoas, são os “meus”. Aí não tem jeito, não sei perder. Assim como já fiz antes, caro leitor, reafirmo, não sei perder ninguém
Eu sou imediatista, minha sede por vida é muito grande. Sempre tenho alvos, sempre quero chegar rápido demais, às vezes nem sei onde e acabo atropelando tudo. Exemplo disso? Releia o primeiro parágrafo e sinta como os joguei nesse assunto sem dó, nem piedade, simplesmente por não saber fazer uma introdução que amenizasse minha velocidade. E esse ritmo que eu me imponho, poucos acompanham. Mas eu preciso de muitos e tento levar todos. Poucos sabem, mas eu os trago. Poucos percebem, mas estão comigo. Ainda mais raros são os conscientes desse movimento todo, principalmente os que o são, porque eu fui obrigada a contar. Fui obrigada a pedir que andassem mais rápido porque eu não queria deixá-los. Esses são os mais pesados e eu não consigo carregá-los sozinha - não por muito tempo. E é nessa hora que eu tento convencê-los. Tento demarcar uma velocidade satisfatória pra ambos, tento ir e voltar pra buscá-los, só pra me dá um descanso. Tento mostrar que um pouco de esforço e muito de vontade são suficientes. E quanto tudo isso falha... Aí não tem o que ser feito, inevitavelmente, alguém fica pra trás. Mas será que fica mesmo? Não. E por quê? Exatamente, leitor, porque eu definitivamente não sei abrir mão de ninguém.
Eu ainda não aprendi que alguns de fato não merecem, não querem, não podem seguir comigo. Porque a perda é uma das lições mais difíceis dessa vida e eu não sei fazer outra coisa além de escrever sobre ela. É por isso que vivo construindo pontes entre o que foi e o que há de ser, acabo vivendo num “E se fosse, e se pudesse, e se eu fizesse, e se fizessem por mim”. Acabo sempre indo e voltando, dilacerando uma saudade que já poderia ter acabado, sangro feridas passadas simplesmente por não permitir que o tempo as feche, as cure ou as torne imperceptíveis. Esqueço sempre do ‘agora’. Aliás, o que é o agora? É esse  momento que eu escrevo. Pra você é esse da leitura. Viu? Embora seja amante da velocidade, tenho um certo apego pelo estável e acabo ficando confusa com tudo que muda rápido demais. Até um tempo atrás meu agora eram planos de futuro, hoje é retalhos do passado. Muda. Transforma. Acaba. Constrói. Esquece. Sente. Nesse ciclo, até eu que odeio exatidão, sinto falta da segurança que ela traz. Porque no que é exato, nada falta, nada sobra. O ideal que não existe, que eu não procuro, mas que ainda sim, me faz falta
E eu sei que não há muita opção. Eu tenho que seguir. E quando sou obrigada a escolher, mesmo voltando atrás uma infinidade de vezes, eu escolho por mim. Porque pra ter alguém comigo, eu preciso está aqui e sendo assim, não posso abrir mão de todos os outros porque alguém não foi capaz. Mesmo que eu sangre todos os dias, mesmo que eu volte pra saciar um pouco a nostalgia. Mesmo que eu acabe uma tarde assim, escrevendo pra libertar-me. Eu escolho por mim. Porque os que me acompanham, merecem que eu lute por eles. Até porque tenho consciência que não é fácil, mas também sei dos motivos que eu dou pra que venham comigo, sei de tudo que eu sou capaz de fazer pela felicidade dos meus. E por eles, eu acabo fazendo por mim. Eu sigo, de verdade, eu sigo.

"E o fim da linha é só o início de uma nova linha, de um novo mundo...”


terça-feira, 21 de maio de 2013

... Eu que não amo você

E eu começo mais um texto alimentada por contradições, contradições que talvez nem existam, talvez eu as crie, pelo meu bem ou pelo simples prazer de iludir-me (Se é que há prazer nisso). Mas a discrepância do que você me mostra pra o que eu acho que você sente, ocupa muito tempo do meu dia. E você não tem culpa alguma disso, sequer sabe do modo como seus olhos chamam por mim, gritam de forma melancólica que me precisam, que precisam de ajuda, que precisam de algo mais que só você. Também não imagina que nem o seu sorriso mais pleno é capaz de abafar os apelos do teu silêncio. PARA! Ameaço gritar, mas me perco na diversão que é imaginar a sua expressão confusa de quem não sabe que é ouvido
E nesse emaranhado de necessidades, eu já não sei quais são minhas, quais são suas. Te vejo procurando abrigo, mas quero abrigar-me na tua insegurança. Você me vê pronta e eu aqui, querendo construir-me a cada dia que passa, muitas vezes sem saber onde encaixar cada peça. Eu não entendo nada que envolva a minha vida junto a tua, eu não entendo porque nos entendemos tanto e tão bem. Eu não entendo e é por isso que evito falar dos teus braços largos ou do quanto tua voz me desconcentra. Porque eu não sei e do que eu não sei, eu não falo. Mas desde o início, eu escolho uma verdade pra cada momento e sobre elas há conversa, há escrita, há madrugadas... Até o dia em que é impossível sustentá-las e eu definitivamente não entendo mais nada
É que por mim eu não sairia do teu lado. Eu sinto que o perigo te acha atraente demais por isso vive na espreita, esperando o momento certo de encontrar-se contigo. Mas ele sabe que você é meu e quando eu estou perto, ele emudece, enciumado nos contempla de longe e eu me sinto capaz de proteger-te do mundo. Mas ele também sabe que eu preciso ir e aguarda e me desafia e eu que seria seu escudo em qualquer ocasião, encontro a impotência que a distância me dá. Pra além disso, eu não consigo protegê-lo de você. Perto ou longe, não posso evitar os danos que você causa a si. E são tantos e tão doloridos... 
Mas você continua rindo, continua com aquele olhar, meio de lado, de quem não está olhando. Continua com a espontaneidade de quem não deve a vida e não teme quase nada, pois teu maior medo é o próprio medo. Ele te é estranho e esta é a única hora que eu consigo ver-te de cenho franzido, com receio que o intruso ocupe espaço demais. E te vejo calado, consumindo um pouco de si a cada dia que passa. E eu nada posso fazer além de assistir, não posso te dar o que você não me pede- mas ainda sim o faço, sem que você perceba, sem fazer muito barulho pra que teu silêncio ainda seja ouvido. Mas se ao menos por um minuto teus olhos se calarem, você vai conseguir ler os meus, que há tempos lamenta: “Cara, eu morro de saudades do que você já deixou ir...” 

 “Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho, eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho ♪"

terça-feira, 14 de maio de 2013

Um rosto apareceu, 'uma heroína'

Quanto tempo, não é mesmo? Não sei se ainda consigo enlouquecê-los, meus caros leitores, temo ter pedido a prática de mascarar-me em suas vidas. Mas cá estou eu com pouco a ser dito. Acontecimentos efêmeros e sem conseqüências raramente me rendem assunto. Tempos pesados também consomem meu ímpeto de prosa. No entanto, algo persiste. Persiste nas horas em que eu me rendo ao inconsciente e sem armaduras, deixo-me invadir. E lá está, onde sempre esteve. Com o mesmo sorriso, sempre com o mesmo jeito de desafiar os meus limites. Eu não sei se é bom... De concreto, só a presença. De palpável, nem isso
Brilha, desde do começo, brilha. Falta-lhe capa, máscara e poderes, mas foi herói. Por um breve período, resgatou-me do fim inevitável, não me impediu de cair, mas retardou a queda. E eu guardo com carinho, agradeço no íntimo e lhe dou meu mais sincero sorriso... O maior deles, quem dera o mais bonito. E como todo herói, tem seus pontos fracos e por conhecê-los, os protejo, um a um, tornando-o invencível, incapaz de perder uma batalha, ainda que não saiba, ainda que se sinta sozinho, ainda que tema o que vem adiante. Vá em frente, eu te guardo – muito mais do que pensa
E eu não posso dizer-lhe muito, minha transparência talvez o ofenda. Ou, quem sabe, não haja muito a ser dito. Eu tenho ‘me vivido’ por dois anos e há que diga que eu nunca fui tão feliz. Não é o que dizem as fotos, não é o que você diz quando me protege do frio, não é o que eu digo tendo vivido você nas ultimas semanas. E já não quero voltar a sonhar, já que o despertar é inevitável. Mas saiba que eu te cuido, muito mais do que me ‘curou’ um dia. 
E escrevo pra libertar-me, deixo-te livre pra povoar os sonhos de criaturas indefesas sedentas por um pouco de afeto. Mas não cai agora, voa... Porque ainda há encontro, nem que seja esta a última noite. Voa, porque o mundo é teu, eu te garanto e sei que não duvidas. Voa, porque eu te guardarei. Depois volta, porque assim, seremos indestrutíveis nesse mundo de sonhos caídos.


"Eu só queria saber o que você foi fazer no meu caminho ♪"

quarta-feira, 27 de março de 2013

O coração sempre arrasa a razão

O que você tem de palpável agora? Sim, neste exato momento. Sem tempo pra pensar, sem olhar ao seu redor. Deste lado, eu tenho um ruído confortável do ventilador e o barulho exagerado dos meus dedos colidindo com o teclado do computador. Precisam ser ágeis para acompanhar a velocidade com o qual meu cérebro se vê obrigado a trabalhar. Coração. Sempre ele. Num ato não raro de rebeldia, viajou. Uma viagem breve, com escalas - muitas escalas, visitas múltiplas motivadas por uma mesma razão. É provável que ele tenha estado aí. Se você veio aqui por algum motivo além de uma curiosidade inocente, sim, ele esteve aí!
É provável que tenha te visto dormir, tenha sentado ao teu lado e acariciado os teus cabelos ou tenha te visto repousar nos braços de um outro alguém e pela primeira vez, não quis te arrancar de lá. Pode ter te visto dançar e não é difícil que ele também tenha o feito. Talvez ele tenha te visto rezando e em prece, pediu junto contigo. Talvez ele tenha te acomodado em meus braços por mais uma ‘última vez’ e tenha sorrido. Ele pode ter beijado teus olhos enquanto você dormia só. Na sua liberdade, ele pode ter feito muito e pouco – muito pouco foi percebido. Mas ele fez, ele foi e as 02:10 da manhã, ainda não voltou... 
Eu não tenho muito o que fazer. Prometi que desta vez ele iria só. Não fez cerimônias na despedida, nunca precisamos disso. Sequer olhou pra trás, me parece ter uma certeza presunçosa de que, em breve, eu irei atrás. Um sorriso, ele tinha a alforria...

Eu contei, no mínimo, seis visitas. Seis "você". Seis vidas. 
Quem dormia? Quem dançava? Quem rezava?  
Quem eu acolhi nos braços? Quais olhos foram beijados?
Eu só sei, caro leitor, que era eu quem ria...


"O coração nunca cansa da canção, o que está está escrito na canção, ninguém precisa aceitar ♪"


segunda-feira, 4 de março de 2013

Não quero perder a razão pra ganhar a vida.

“Nem sempre faço o que é melhor par mim,
 mas nunca faço o que eu não tô afim de fazer”

Calor - É uma das muitas coisas que eu venho sentindo constantemente. No tédio de um domingo a tarde, na ansiedade de bons jogos de futebol, na preguiça de pensar no que vem apertando os meus miolos. Olhei pro lado. Achei injusto... Folhas em branco, movimentando-se com a leveza do vento, vazias, leves - mais que tudo leves. O coração gritou. Os olhos focaram na caneta que repousava inofensiva ao lado da televisão. Enquanto eu questionava se deveria perturbar a calmaria, o coração voltou a gritar. Levantei. Papel, caneta, vazio, paz. Por que tumultuar? – Está pesado. Foi a resposta que eu recebi. É mais que suficiente... Com inveja daquele branco, comecei a manchá-lo com vida.
A mania humana de esperar a cura. A vivo todos os dias, seja na academia, seja pelos trens dispersos a quem eu sempre sirvo de estação. Pelo pouco que me cabe, permita-me dizer: Passividade não traz cicatriz. Tempo não mata, seda! O anseio pela cura é grande, o que se faz pra alcançá-la poucas vezes suficiente. Eu vejo isso todos os dias, nos hospitais, nas ligações desesperadas que eu recebo, nas lágrimas que derramam nos meus ombros, no meu próprio espelho – o único a quem eu não consigo enganar. De resto, convenço fácil com meus sorrisos dificilmente despropositados. Talvez eu não seja mesmo a pessoa adequada pra falar, não sei esperar, por vezes não sei como agir e nessas horas, bom, nessas horas eu escrevo... (É uma forma de espera?) 
Confesso que se ao invés de deixar no papel o meu pesar, eu pudesse absorver a leveza com que se moviam ao meu lado, eu o faria. Abraçava ao menos por um dia aquele vazio e me permitiria largar tudo que eu carrego, por querer, por amar, por precisar, por não saber o motivo também. Mas não posso, devo manchá-lo, devo dá a ele um objetivo maior do que atrair meus olhos entediados, devo fazê-lo chegar até alguém (ao menos deveriam...), mas meus papéis estão aqui, não estão? Nem todos, é verdade. Mas os que me são convenientes. 
Pausa. Parei aqui. A falta de conexão confundiu até a mim. (Já posso pedir desculpa a vocês por isso?). Mas lembrou-me alguém, alguém que fala minha língua de forma tão fluente que nos entendemos com bem pouco. Alguém que há algum tempo escreveu suas confusões de forma clara (ao menos pra mim) e tão linda, que relatou e desculpou-se pela aparente desconexão de suas linhas, de suas crônicas. E foi nessa escrita que eu encontrei inspiração para seguir além da pausa. Raras vezes fui tão clara a cerca de algo que me inspira, mas o faço com o intuito de fazer pela pessoa o que fez, de forma inconsciente, por mim. Inspirá-la e encorajá-la a embaralhar as letras, desalinhar os pensamentos, desatar os nós da mente e debelar a saudade que, sem dúvida alguma, seus leitores andam sentindo. (Eu sinto.)
Voltei. Tão confusa quanto estava no terceiro parágrafo, aliás, quanto estou há alguns dias. Aliviando o peso das minhas “qualidades” e a repetição dos meus defeitos. Vendo chegar o fim da folha, sem enxergar o fim dos acontecimentos mais recentes. Amanhã tudo pode está diferente e sem medo, eu só quero que ele chegue. Não sei lidar com assuntos mal resolvidos, não sei esperar, nem confio em passividade, no entanto, não sei pra onde eu quero irnão agora. E se eu não consigo ficar parada, eu escrevo pra movimentar-me sem consequências ou para induzir movimentos mais brandos, inesperados e provavelmente, apaixonantes

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Tudo queimava, nada aquecia.

"O que você faria se estivesse no meu lugar?
 Se tivesse que fugir e não pudesse escapar? ♪"

 "- Você não está só, menina. Não somos só nós."
Eu não quis questioná-lo, provavelmente porque não queria encontrar respostas. Deixou-se seduzir, caiu nas próprias armadilhas e embora não consiga dissociar-me tão fácil, dessa vez ele irá só. Por mais que me acalente a alma, por mais que aqueça as minhas segundas-feiras mais tediosas, ele irá só. Por mais que eu não resista a movimento, desta vez eu ficarei aqui, até que eu me convença de que há um caminho ameno ou até que a coragem se una agradavelmente a oportunidade e eu possa enfim, perder-me, por vontade, por desejo, por qualquer coisa que me atinja com intensidade suficiente pra ser tomado como meu. 
Mas que tal ouvir-me agora? Senta aqui, eu também não quero escutar nada do que eu tenho pra nos dizer. Deita a tua cabeça em meu colo e finge que se importa, me convence que dói não ter vivido nada além da minha indiferença. Deixa eu te falar, ao menos uma vez, do que eu não entendo. Me deixa abrir a boca sem ter certeza, sem ter pensado, sem preocupar-me com a minha sensatez que some nas horas certas, quando eu não me tenho por inteira, quando você não está perto o suficiente. Posso te contar das batalhas que eu venho travando, batalhas que sequer existem e deixe-me admitir que vencê-las tem sido a farsa que me mantém de pé. 
Aprecia a brisa, veja o colorido que nos moveu até aqui. Você sente? Eu sinto, com uma certeza turva, mas sinto. Não sei se foi você, se foram as horas que se arrastaram na medida certa - como nunca tinha acontecido antes. Não sei se fui eu que consegui – finalmente – está ali. E é essa dúvida que me para e não ampara nenhum dos sonhos que eu, derrotada pela teimosia, construí. Mas eu te sinto, agarrado nos meus cabelos, sem a minha permissão e sem o teu consentimento. E por falta de opção, vou obrigando-me a guardar verdades inúteis, pesadas e fora de contexto. Mas são minhas, sempre foram só minhas. Por isso guardadas, por isso consumidas pelo meu altruísmo (será?).
Se meu colo não estiver confortável, levante-se e não me olhe nos olhos. Eu odeio esse pedido de socorro que eu vejo no teu olhar o tempo inteiro, enquanto a independência do teu sorriso ludibria nossas vontades. Continue a ouvir-me, deixe-me abrir a boca e o coração, mas não o faça. Cale-se, saia e emudeça o que cresce sem sentido. Afogue o que não nasceu, mas afogue no caldeirão que eu construí enquanto cozinhava as minhas vontades
Deixe-me, mas deixe-me de verdade. Esvazia meu colo, meu cheiro e o que mais restar de ti. Não queira levar-me, porque eu irei e há quem diga que dificilmente voltaria. Deixe-me porque eu preciso ficar, não sei por que ou por quem, só sei que preciso. Deixe-me ou viva-me! Mas com a intensidade de uma vida, com a duração efêmera ou eterna da nossa – não mais da minha – vontade. Decida o que não está nas suas mãos e sinta como é não fazer diferença alguma. Eu não mudarei de ideia. 
Pode ir agora, ele quer seguir-te, mas dessa vez, ele irá só. Vão, de uma vez por todas, vão! Sem mim, em mim... sem vão! 

 "Pensei que era liberdade Mas, na verdade, era só solidão ♪"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

... Só prá ver até quando o motor aguenta.

Fugir dos estudos tem sido uma boa desculpa para discursar sozinha durante a madrugada  (tem sido meu único tempo livre). Não tem me faltado inspiração, eu nunca as deixo ir, lembra? Sempre dou um jeito de vigiá-las daqui, dali, de algum cantinho que me traga o conforto de saber que estão ‘próximas’. As pessoas, o movimento, os caminhos curvos que a vida traça, esses são meus combustíveis, dessa forma é impossível parar. Nem ia escrever, reconheço que a monotonia da minha rotina tem me tirado o ímpeto, mas relendo textos antigos, lembrando de cada um dos momentos em que foram escritos, eu pude perceber o quanto de coisa aconteceu num curto intervalo de tempo. Alta rotação nunca me surpreendeu, mas me impede de analisar a velocidade com que as coisas mudam. 
Irônico foi perceber que muita coisa esquecida por mim - sequer registradas nesse blog - permanece viva, num pulsar excitante, capaz de modificar meu humor e minha maneira de enfrentar os fatos. Elas nasceram em tempo remoto, consumiram até o findar da chama, adormeceram e vez por outra, me despertam. E ainda sim, nunca foram descritas aqui. Talvez estivessem em latência, talvez eu as quisesse ignorar. Mas é madrugada, leitor... E nela tudo me escapa. Penso no quanto eu quis prolongar coisas que nasceram pra acabar, no quanto eu quis findar o que nasceu pra ser eterno ou pra durar sabe Deus por quanto tempo. Vivo atropelando a vida com a intensidade que me toma, mas claro, ela nunca deixou barato. Me freia rápido e raramente me evita a queda. Mas quer saber? Nem dói mais... vez em quando eu ainda dou um sorrisinho irônico, como quem diz: ‘Ainda estou aqui’. Mas não a desafio, não entro em batalhas perdidas.
Minhas escolhas nem sempre são as melhores, mas quando as faço, raramente desisto delas. E penso naquelas definitivas, na precipitação pelo sonho, no desejo de ‘algo mais’, penso, repenso, mas as assumo. Foram minhas, feitas por mim, abro as portas para a consequência. Peito aberto. Bate, já suportei muito! Não é pedra, mas é forte! Bate, estou aqui! Eu quis, talvez ainda queira. Portanto, pode bater...Eu suporto! Mesmo que vez por outra queira jogar essa tralha toda pro ar, eu suporto! 
E tenho amado ou só suportado. Tenho esquecido muitos dos ‘você’ que povoaram esse blog, tenho digerido muitos outros que ficaram ocultos pela obviedade. A exceção que quis ser regra, o diferente que tornou-se comum, a prece que virou desprezo, a calma que ainda é calma, mas já não apetece o coração. O desejo que ainda é desejo e dificilmente passará disso. Todos os encaixes devidos ou indevidos, todos os capítulos da minha história, alvos do meu amadorismo de vida e escrita. E tantos outros que virão... Mas que se pode fazer, além de viver? Nada (E como é bom - neste caso - não ter opção!)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

... Nunca me faltou coragem

Eu já tinha me dado por vencida pelo sono, se não fosse pelo torpedo que eu recebi: “Você não escreve mais? A inspiração fugiu? Se sim, avisa! Eu procuro! Tenho sentido tua falta, volta logo!” Eu ri. Eu estou tão perto do remetente, mas sempre ouvi dele que embora não entendesse, era aqui que ele conseguia me ver por inteiro. Sem meus moralismos construídos, destruídos e reconstruídos com o tempo, sem a minha ironia que sempre escondeu toda minha fragilidade, sem segredos, mas sem abrir mão do mistério que sempre garantiu que só os olhos certos me veriam. Eu estava respondendo a mensagem, mas desisti. Aqui está a resposta e o agradecimento, era disso que eu precisava, um tempo comigo e ironicamente outra pessoa – que não eu – me cobrou isso. 
Minha inspiração não fugiu, pelo contrário, a sua intensidade assustaria mais da metade dos leitores que passam por aqui e é por isso que eu a tenho ignorado. E por mais que ela grite, me bata, arranque meu sono, eu finjo que não a vejo ou me deixo vencer pelo cansaço óbvio do cotidiano e fico adiando nosso encontro. Em algumas vezes, fiz diálogos solitários bem arquivados no meu computador, por necessidade minha, por despejar o peso que mais ninguém alivia, além de mim. É bom lembrar que eu sou mais, muito mais, do que os pedaços que as pessoas deixam por aqui. 
Devo reconhecer que, exceto em situações extremas, não sei deixar as pessoas irem embora – não totalmente. As faço acreditar que se foram, mas tenho um instinto protetor idiota que me faz ficar espiando, pelo mínimo espaço que seja, pra me assegurar de que estão bem e me dá a sensação de que ainda tem algo meu ali. Acho que não sei me despegar de ninguémde ninguém mesmo. Mas o tempo é aliado e acaba deteriorando o que não se move. Com a minha inércia, eu que tenho que ter cuidado. As pessoas vão, voltam, permanecem, não vão mais ou se vão para sempre, mas eu estou sempre aqui, sempre servindo como estação para trens dispersos. Sempre esperando que voltem, que parem, que acabem com a saudade e sejam realmente responsáveis pelo que cativaram. Mas gente, muitos nem queriam cativar nada, mas sabe como é... aquele bendito alvo fácil que pulsa dentro do peito
Vez por outra não aguento o peso, derrubo tudo, organizo a casa e jogo o que já não serve, mas as minhas faxinas mais eficientes resultaram em um ‘porão’ abarrotado, sujeito a ação do tempo, vez por outra eu o visito, deixo que a nostalgia transborde os olhos, algumas vezes, lembro com um sorriso doce do que eu guardei ali e não raramente resgato alguma coisa. Não deixo o futuro em paz, não permito que o passado se faça passar e nessa me perco fácil. Tentando trazer o futuro, tentando resgatar o passado. E nessas horas, eu escrevo. É uma maneira de fixar-me ao agora. E tenho buscado tantas outras... 
Minhas obviedades não podem ser mascaradas, não pra quem zomba do mistério que eu imponho aqui. Então eu fico quieta, deixo o meu silêncio - quase sempre sinônimo de reflexão. Aquele tempo só meu – acreditem, eu também preciso. Entre crônicas não postadas, entre sentimentos não vividos e vidas não perpetuadas, tenho escolhido meu caminho. Ao menos por enquanto, nada de viver o que me atinge, mas sim atingir o que eu quero viver. E eu não serei branda. Com força, tomada pelo impulso, com a certeza de quem sabe o que quer e nem sempre o que faz. Mas quem de nós sabe? Sou construída de certezas, mas se elas são breves, minhas vontades também serão! Nesse jogo perigoso, pouca coisa fica aqui. Mas o que fica, eu cuido. E o que eu cuido, não vai embora!