sábado, 25 de agosto de 2012

Prazer. Sem motivos, nem objetivos!

Um gole de café. Chuva, o chiado persistente da televisão. Caneta e caderno velho. Pronto, o mundo despenca em forma de palavras, na forma de sentidos dúbios e confusões de quem ainda não se conhece por inteiro. Outro gole de café. O gosto do reencontro. Eu e minha sombra, eu e o meu passado. A caneta flui fácil, mancha o papel com o que eu tenho aqui dentro, nos lugares mais escuros, nos lugares que ninguém – além de mim – chegou. E nessa hora penso ser só meu, engano-me achando que eu serei a única entender a junção de todos esses conflitos, mas aí, pouco depois, descubro que dei vida ao sentimento de uma dúzia de pessoas, que por motivos diversos não o expressam. 
Eu paro. Sem café desta vez. Indago. Como não expressar-se? Como amontoar tudo como se o espaço fosse infinito? Já me escondi sim, já amordacei sentimentos que insistiam em gritar madrugada adentro, já os alimentei com falsas esperanças pra que se contivessem - ao menos perto de quem não podia ouvi-los (que na maioria das vezes, era justamente a única pessoa à quem eles interessavam). Mas sempre os escrevi, revestidos de sarcasmo, protegidos pela ironia. Mas estavam ali e a quem interessavam ou pra quem se interessava, eles eram nítidos, desnudos, claros. Estavam ali... Não imagino estocando tudo aquilo, meu corpo não suportaria e eu não queria está perto pra ver essa explosão. Seria uma chuva de sentimentos ácidos e fora da validade, declarações acompanhadas de adjetivos nada carinhosos. Talvez um: ‘Eu te quis tanto, que eu nem me quero mais, idiota!’. Nada eficaz, reconheço... 
Reencontro... Já descrevi muitos deles, chuva fina em fim de tarde, sol escaldante em pleno meio dia, parece que eu os vejo, os vivo de novo. Sinto minha felicidade ou agonia – e foi pra isso que eu os escrevi, pra que fossem eternos. Suspiro. Desligo a televisão. Hora de encontrar-me. Devo dizer, faço isso com um sorriso orgulhoso. Gosto de mim, sério... gosto mesmo. Eu previ esse encontro e o registrei aqui mesmo nesse blog, mas eu imaginava resgatando-me de uma sala esquecida. E vejam só, encontrei-me no salão de festas, curtindo a liberdade que o vento me trazia. Mais que tudo, livre! Não sabia eu que tinha sido sufocada pelas expectativas – as minhas e de todos os outros que sempre me viram como um confortável ponto de apoio ou referência. E foi só me desfazer delas que eu me vi, me apaixonei, me vivi
E cá estou eu, caro leitor, sendo eu mesma. E o melhor, um ‘eu’ sem drama, sem aquele ar pesado de ser vítima, sem expectativas... e cheia, saturada, transbordando em sonhos e em vontade. Vontade de fazer, de refazer, de se fazer. Vontade de escrever sobre o que eu sinto, com a consciência de está escrevendo por mais alguém. Vontade de falar dos amores que eu chorei e perdi, dos que eu perdi sem ter chorado e daqueles em que eu chorei, mas ainda sim não perdi. Vontade de não me conter pra não parecer precipitada, aqui eu vou gritar a minha paixão e a minha dor... Provavelmente falarei de você, dele, de nós. Falarei e a carapuça há de servir e espero que assim como eu, ninguém se contenha. Ninguém mais se esconda
 Mais um gole de café, dois suspiros e um sorriso. Dessa vez, é isso!

Reconheço que essa postagem deveria inaugurar o blog, mas minha inspiração não respeita cronologia. Aliás, não respeita coisa alguma...

Eu mudei, cara! Mudei muito. Vocês podem perceber, fácil!  Confira aqui a postagem que o texto faz referência e acreditem, o assunto é quase o mesmo ;) [Mas por favor, não entrem em depressão, rs]

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