quarta-feira, 27 de março de 2013

O coração sempre arrasa a razão

O que você tem de palpável agora? Sim, neste exato momento. Sem tempo pra pensar, sem olhar ao seu redor. Deste lado, eu tenho um ruído confortável do ventilador e o barulho exagerado dos meus dedos colidindo com o teclado do computador. Precisam ser ágeis para acompanhar a velocidade com o qual meu cérebro se vê obrigado a trabalhar. Coração. Sempre ele. Num ato não raro de rebeldia, viajou. Uma viagem breve, com escalas - muitas escalas, visitas múltiplas motivadas por uma mesma razão. É provável que ele tenha estado aí. Se você veio aqui por algum motivo além de uma curiosidade inocente, sim, ele esteve aí!
É provável que tenha te visto dormir, tenha sentado ao teu lado e acariciado os teus cabelos ou tenha te visto repousar nos braços de um outro alguém e pela primeira vez, não quis te arrancar de lá. Pode ter te visto dançar e não é difícil que ele também tenha o feito. Talvez ele tenha te visto rezando e em prece, pediu junto contigo. Talvez ele tenha te acomodado em meus braços por mais uma ‘última vez’ e tenha sorrido. Ele pode ter beijado teus olhos enquanto você dormia só. Na sua liberdade, ele pode ter feito muito e pouco – muito pouco foi percebido. Mas ele fez, ele foi e as 02:10 da manhã, ainda não voltou... 
Eu não tenho muito o que fazer. Prometi que desta vez ele iria só. Não fez cerimônias na despedida, nunca precisamos disso. Sequer olhou pra trás, me parece ter uma certeza presunçosa de que, em breve, eu irei atrás. Um sorriso, ele tinha a alforria...

Eu contei, no mínimo, seis visitas. Seis "você". Seis vidas. 
Quem dormia? Quem dançava? Quem rezava?  
Quem eu acolhi nos braços? Quais olhos foram beijados?
Eu só sei, caro leitor, que era eu quem ria...


"O coração nunca cansa da canção, o que está está escrito na canção, ninguém precisa aceitar ♪"


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