E eu começo mais um texto alimentada por contradições, contradições que talvez nem existam, talvez eu as crie, pelo meu bem ou pelo simples prazer de iludir-me (Se é que há prazer nisso). Mas a discrepância do que você me mostra pra o que eu acho que você sente, ocupa muito tempo do meu dia. E você não tem culpa alguma disso, sequer sabe do modo como seus olhos chamam por mim, gritam de forma melancólica que me precisam, que precisam de ajuda, que precisam de algo mais que só você. Também não imagina que nem o seu sorriso mais pleno é capaz de abafar os apelos do teu silêncio. PARA! Ameaço gritar, mas me perco na diversão que é imaginar a sua expressão confusa de quem não sabe que é ouvido.
E nesse emaranhado de necessidades, eu já não sei quais são minhas, quais são suas. Te vejo procurando abrigo, mas quero abrigar-me na tua insegurança. Você me vê pronta e eu aqui, querendo construir-me a cada dia que passa, muitas vezes sem saber onde encaixar cada peça. Eu não entendo nada que envolva a minha vida junto a tua, eu não entendo porque nos entendemos tanto e tão bem. Eu não entendo e é por isso que evito falar dos teus braços largos ou do quanto tua voz me desconcentra. Porque eu não sei e do que eu não sei, eu não falo. Mas desde o início, eu escolho uma verdade pra cada momento e sobre elas há conversa, há escrita, há madrugadas... Até o dia em que é impossível sustentá-las e eu definitivamente não entendo mais nada.
É que por mim eu não sairia do teu lado. Eu sinto que o perigo te acha atraente demais por isso vive na espreita, esperando o momento certo de encontrar-se contigo. Mas ele sabe que você é meu e quando eu estou perto, ele emudece, enciumado nos contempla de longe e eu me sinto capaz de proteger-te do mundo. Mas ele também sabe que eu preciso ir e aguarda e me desafia e eu que seria seu escudo em qualquer ocasião, encontro a impotência que a distância me dá. Pra além disso, eu não consigo protegê-lo de você. Perto ou longe, não posso evitar os danos que você causa a si. E são tantos e tão doloridos...
Mas você continua rindo, continua com aquele olhar, meio de lado, de quem não está olhando. Continua com a espontaneidade de quem não deve a vida e não teme quase nada, pois teu maior medo é o próprio medo. Ele te é estranho e esta é a única hora que eu consigo ver-te de cenho franzido, com receio que o intruso ocupe espaço demais. E te vejo calado, consumindo um pouco de si a cada dia que passa. E eu nada posso fazer além de assistir, não posso te dar o que você não me pede- mas ainda sim o faço, sem que você perceba, sem fazer muito barulho pra que teu silêncio ainda seja ouvido. Mas se ao menos por um minuto teus olhos se calarem, você vai conseguir ler os meus, que há tempos lamenta: “Cara, eu morro de saudades do que você já deixou ir...”
“Se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho, eu gravaria no metal da minha pele o teu desenho ♪"
Puuuuts, Ges.
ResponderExcluirMe impressiono cada vez que leio teu blog.
Demoro mt a aparecer, mas toda vez q apareço sou presenteada por suas palavras tão sábias.
Lindo texto.
Me vi nele, p variar, rsrssrsr
Grande abraço.
Obrigada, Tharcia! Obrigada mesmo!
ExcluirQue você venha mais vezes e que possa se enxergar sempre!
Beijo, linda!