Luzes das mais variadas, focos dos mais diversos e eu aqui, com um bloco de anotação mental e a caneta de tinta fresca. Ninguém me nota e eu me esforço para tal. Preciso da observação imparcial, o olhar nada crítico da manipulação. Estou no centro do salão e eles todos esbarram em mim com o pesar de suas vidas e eu? Bom, eu escrevo.
Canto esquerdo, direção norte. A menina presa às rédeas de alguém que não viveu. Ela não ousa – nem pode, cruza as pernas de forma nervosa com o intuito de distrair alguém já acompanhado. O riso é comedido, os sonhos limitados ao travesseiro. Não sabe pra onde olhar, mas sabe bem pra onde queria está olhando. Move-se ao som da música que não escuta, dança no compasso de quem nunca teve ritmo.
Direção Sul, canto esquerdo. Jovem casal. Planos estampados no sorriso, fé guardada nas mãos – discretamente - entrelaçadas. Eram felizes em baixo tom, pra que ninguém os escutasse, pra que ninguém os visse. Eram homens - Jovens, bem sucedidos e homossexuais. Neste baile de convenções, eles eram a maior e mais linda contradição.
Canto direito, direção sul. Rapaz... 22, talvez 23 anos. Parece-me sufocado pela gravata borboleta que não queria está usando, o olhar fixo ao casal à sua frente. Um ar arrependido de quem sabe que poderia fazê-la feliz, mas de quem não ousou, por medo de sentir, por medo de ser ou de ‘si’.
Direção Norte, canto direito. Casal de namorados. Ela mantém os olhos fechados, sente-se protegida e menos constrangida com o olhar nervoso do rapaz de gravata borboleta. Acomodada em sua ilusão, é incapaz de perceber o sorriso nada discreto que seu par exibe enquanto olha pras pernas da menina a quem primeiro descrevi. Nos olhos, a marca – já próxima - da solidão que ele ainda não percebera.
Centro do salão. Eu, minha mente e exaustão. Pensando quantas vezes eu já fui – aos olhos alheios - um desses estereótipos, a menina comedida tentando seduzir o garanhão comprometido, a homossexual, a garota arrependida por perder ou por ter alguém. E enfim entendendo o quanto é leve está aqui, na cadeira, escrevendo e julgando outros corpos, mentes e sorrisos.
Eu me perdi, me misturei a multidão, tentando – inutilmente – passar despercebida. Me soltei da hora e dos sonhos e ainda que trancafiada em mim, estou rumando a um encontro. Só meu, só eu. Talvez a gente se encontre, talvez eu me encontre. Talvez, caro leitor, o que eu mais queira seja continuar perdida.
Canto esquerdo, direção norte. A menina presa às rédeas de alguém que não viveu. Ela não ousa – nem pode, cruza as pernas de forma nervosa com o intuito de distrair alguém já acompanhado. O riso é comedido, os sonhos limitados ao travesseiro. Não sabe pra onde olhar, mas sabe bem pra onde queria está olhando. Move-se ao som da música que não escuta, dança no compasso de quem nunca teve ritmo.
Direção Sul, canto esquerdo. Jovem casal. Planos estampados no sorriso, fé guardada nas mãos – discretamente - entrelaçadas. Eram felizes em baixo tom, pra que ninguém os escutasse, pra que ninguém os visse. Eram homens - Jovens, bem sucedidos e homossexuais. Neste baile de convenções, eles eram a maior e mais linda contradição.
Canto direito, direção sul. Rapaz... 22, talvez 23 anos. Parece-me sufocado pela gravata borboleta que não queria está usando, o olhar fixo ao casal à sua frente. Um ar arrependido de quem sabe que poderia fazê-la feliz, mas de quem não ousou, por medo de sentir, por medo de ser ou de ‘si’.
Direção Norte, canto direito. Casal de namorados. Ela mantém os olhos fechados, sente-se protegida e menos constrangida com o olhar nervoso do rapaz de gravata borboleta. Acomodada em sua ilusão, é incapaz de perceber o sorriso nada discreto que seu par exibe enquanto olha pras pernas da menina a quem primeiro descrevi. Nos olhos, a marca – já próxima - da solidão que ele ainda não percebera.
Centro do salão. Eu, minha mente e exaustão. Pensando quantas vezes eu já fui – aos olhos alheios - um desses estereótipos, a menina comedida tentando seduzir o garanhão comprometido, a homossexual, a garota arrependida por perder ou por ter alguém. E enfim entendendo o quanto é leve está aqui, na cadeira, escrevendo e julgando outros corpos, mentes e sorrisos.
Eu me perdi, me misturei a multidão, tentando – inutilmente – passar despercebida. Me soltei da hora e dos sonhos e ainda que trancafiada em mim, estou rumando a um encontro. Só meu, só eu. Talvez a gente se encontre, talvez eu me encontre. Talvez, caro leitor, o que eu mais queira seja continuar perdida.
Por fim, retiro-me. A cadeira fica vazia, haverá outros clichês sedentos em ocupá-la.
"Um dia desses, num desses encontros casuais. Talvez eu diga:
- Minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la! Até mais... ♪"
- Minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la! Até mais... ♪"
Nem imagina que você possui esses pensamentos e fico muito feliz de poder vê-los!
ResponderExcluirÓtimo texto Benhe!
♥
Venha mais vezes por aqui então, rs.
ExcluirObrigaada, Jopinha! ♥
Parabéns!!!
ResponderExcluirTesto bastante inteligente e criativo...
Sua sutileza faz com que o leitor sinta-se extremamente apaixonado...
Coisa boa, sinal que tá dando certo!
ExcluirObrigada, Cicero! ;)
Belo texto.
ResponderExcluirEnvolve quem está lendo e meio que transporta pra dentro da atmosfera de quem escreveu.
Obrigaada. Que bom que eu conseguir levar alguém, além de mim, rs.
ExcluirParabéns Ges, como sempre, você seduz o leitor a cada palavra. Sou também um esteriótipo, todos somos.
ResponderExcluirObrigada, Rafinha! E o negócio é até que ponto deixamos esses 'esteriótipos' influenciarem no modo como vivemos.
Excluir;)
Hmm, interessante, diria até surpreendente o bailar da vida ao nosso redor e como nos colocamos ou somos colocados no centro dela... Infelizmente, há um desajuste o julgamento, que muitos o fazem assim como respiram, mas que trás consigo o peso das nossas ações...
ResponderExcluirMeu anônimo sempre dispensa comentários ;)
ExcluirAcho q toda vez q eu leio teu blog eu comento a mesma coisa: "parece q tu escreve oq eu sinto"
ResponderExcluirrsrsrsrsrsrsrs
muito bom, Ges. Não deixe de escrever nunca.
:*
Você deveria saber o quanto é gratificante ler esse tipo de coisa! Essa é minha intenção toda vez que paro pra escrever... que as pessoas possam se enxergar nas minhas palavras! Pode crer que se eu continuar com estímulos desses, eu não deixarei de escrever, rs. Quem sabe um livro?
ExcluirBeijo, linda!