segunda-feira, 27 de agosto de 2012

No nosso peito bate um alvo muito fácil.

Eu tenho distúrbio alimentar. É, tenho mesmo! Como muito ou não como nada, não há meio termo... Aliás, essa história de meio termo sempre foi meio dúbia pra mim, digo que não sei ser extremista (Exceto quando o assunto é o Santa Cruz Futebol Clube, óbvio), mas tenho pavor à coisa morna, odeio esse tal de ‘meio termo’. Contraditório? Talvez. Conversa pra outras linhas... Mas voltando... Minha introdução confessa é explicada facilmente, as ideias me invadiram enquanto eu preparava a minha terceira ou quarta refeição da noite (Falo sério, infelizmente!), amanhã deve ser um dia vazio – pelo menos para o meu estômago...ou pra mais de mim
É próximo de meia-noite. Dias atuais. Estou na minha casa, aliás, na casa dos meus pais – que já não é tão minha. Na sala de janta, em frente ao quarto onde os dois dormem abraçados com a TV ligada para distrair seus sonhos. Por mais frequente e corriqueiro que seja encontrá-los assim, eu sempre desenterro um sorriso discreto de satisfação... Um sorriso e alguns sonhos encantados que eu tinha antes de quebrar a cara uma, duas... mil vezes. E aí eu lembro da fé que eu tinha nas pessoas, de quando eu pensava que só existia o bem e o bem. Sinto falta e lembro como foi difícil desacreditar. E repenso nos meus sonhos encantados... Doce ingenuidade
Ano de 2009. Aulas de física. Assunto: Gases. Aquela velha comparação do gás ideal e do real. Reconheço, sempre fiquei chateada por não haverem gases ideais no mundo, gases que atendam lindamente a todas as expectativas atmosféricas. Quem dera fosse restrito a isso. Tenho estereótipos para tudo. Minha vida, amigos, ex e futuro(s) namorado(s). Agora sou crescidinha, já não espero os ‘ideais’. Mas admito, meu coração está sempre querendo ditar caminhos: “Pela esquerda, man! Pela esquerda!’ Ele vive pra gritar isso. Aliás, ele quer rumar o mundo, tem uma estranha mania de achar que sabe muito e se irrita fácil quando não o escutam. Sabe o que é pior? Na maioria das vezes o infeliz está certo!
Ano 2012. Mês não informado. Manhã de brisa leve. Apaixonei - pensei de imediato. Casa comigo? - Pensei dois segundos depois. (Engraçada essa minha mania de pedir às pessoas que eu gosto em casamento, isso lá é prêmio decente?). Semelhança tão grande que chegava a ser estúpida. Afinidade. Expectativas. Decepção. Mas ora essa, óbvio não? Eu o crieieu, minha imaginação fértil e o meus sonhos encantados. E acabei não o enxergando de fato. E ele era lindohoje eu sei. Penso em fazê-lo um convite um dia, um café – ou um vinho. Disposição para conhecê-lo sem a minha interferência. Mas confesso que é quase impossível ignorar os gritos do meu coração metido a sábio, e por ele, eu chegaria a este encontro dizendo: ‘Não insulte a minha inteligência. Sua liberdade é o seu escudo. Não fuja, se assuma, me assuma! Me ame...’. Alguém duvida que este ser humano jamais voltaria pra café ou vinho? E com toda razão, vale ressaltar... 
Uma hora da manhã. Dias atuais. Estou aqui a analisar-me... Tenho um defeito (Um? Até eu ri)...Eu sempre espero muito. De mim, das pessoas, de tudo. Ensinaram-me a ser assim! Como? Esperando muito de mim... Muitas vezes fui até o máximo. Sangue, suor e lágrimas – até a última gota. E não foram raras as vezes que não me dei por satisfeita - mesmo quando não havia mais o que ser extraído, e continuei, e desabei, e reergui... e ninguém estava aqui, ninguém percebeu. Sabe por quê? Porque sempre me pegavam com um sorriso discreto de satisfação em frente ao quarto dos meus pais, revivendo meus sonhos encantados e reativando a minha fé nas pessoas. E eu os culpo, sabe? Sim, os culpo... Por toda às minhas decepções nesse ramo infame de vida amorosa. E por quê? Porque eles se amam. Porque são a minha prova cotidiana de que o amor existe e os olhando eu não consigo duvidar disso. E aí, eu volto a acreditar nessa coisa de vida a dois, filhos e casinha no campo. E acredito que ainda que eu cometa a loucura de concordar com meu inconveniente coração, eu não precisarei dizer nada para o ser humano do café ou vinho. Ele perceberá por si só e será a parte encantada dos meus sonhos. (ô, olha só! Num é bonito? Desculpa, eu tive que ser irônica pra quebrar a melancolia!) 
Duas horas da manhã. Dias atuais. Meu coração grita, sussurra, canta e arrisca-se até a dançar. Está inquieto. Radiante - e já adianta... meu estômago será a única coisa vazia por aqui!. Fico tentando traduzi-lo... Ele grita para que eu me cuide e sussurra pra que eu cuide dele. Zomba dos meus ciúmes, mas pede que eu não me assuste. Confessa que há mais gente com medo de dependência. Ele canta o amor. Ele descreve o desejo. Ele pede que só por hoje eu o escute e acredite nele. Pois bem coração, sou toda à ouvidos (por hoje e por todo sempre)...

"Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar ♪"

11 comentários:

  1. Ok, chorei e não foi pouco. Me pegasse.

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  2. Menina, eu to amando tudo isso. rs :)
    Me identifiquei DEMAIS agora. Ri, me emocionei.
    Me envolveu muito. E como lembrei um pouco da realidade tua que sei, ri um pouco mais. rsrs
    Continua...
    Fernanda!

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  3. Só uma pergunta: por que a necessidade de decifrar as pessoas mas, principalmente, o seu coração? Ele é seu, mas nem sempre é... rs Parece louco, mas ele deve ter vida própria. Todos os corações tem, esses danadinhos...

    Lindo texto. Beijos.

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