segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O invisível nos salta aos olhos.

Foi então que naquela brisa leve de despedida, eu a vi... Sozinha, um tanto impaciente, com um sorriso discreto que me prendeu o olho e a alma. Os cabelos estavam despenteados pela vida e os olhos manchados de alegria, ela tinha a cor da liberdade. Eu quis chegar mais perto e num movimento tão sutil como o meu, ela também aproximou-se, eu abri um sorriso... de maneira idêntica, o sorriso lhe tomou a face. E neste instante, minha cabeça - em alta rotação - fez um breve resumo dos meus 20 outonos vividos por terceiros, das diferentes caligrafias que construíram a minha história com uma carta de autonomia assinada por mim - uma analfabeta funcional em autoestima... Aquela imagem que havia me encantado era minha, os cabelos despenteados eram os meus, a cor da liberdade reluzia da minha pele e eu fui incapaz de reconhecer o meu reflexo... Até hoje! Enfim eu me dei conta que nunca fui inconstante e que tudo aquilo era só conflito entre vontade e ignorância. É hora de me ver, despida... Sejam noventa e sete, noventa e oito, cem ou sem passos. A hora é minha!
 
"Era o princípio num precipício, era o meu corpo que caía ♪"

2 comentários:

  1. Sim. A hora é sua. O tempo existe. E a liberdade existe até o momento em que se olha no espelho. De resto o que se vê já está acrisolado em conceitos e pré-conceitos...

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    1. Ver-se livre... é isso que faz a diferença, meu caro anônimo preferido! (:

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