É que tem é tempo que alguém me disse, que como cidadão, todos temos o direito de ir e vir, em tempos de paz – por favor (Devo dizer que sempre achei hipócrita, ‘paz’ caracterizar ausência de guerras). Mas alguém pode me dizer, de que isto – a que chamam de direito – serve quando não se sabe de onde veio, muito menos pra onde vai? Se a pessoa é incapaz de reconhecer-se como cidadão, de reconhecer-se como alguém que pode e deve ter mais que um pedaço de papelão na porta de algum ponto comercial fechado pelo avançar da hora? E ainda me falam de direitos...
Eu me embriago com as boas companhias, dentro do meu confortável bolero que me protege do frio. No rosto, nada mais que um pó pra esconder as velhas olheiras de quem não costuma dormir quando precisa. Enquanto isso, ao meu lado, ela - com o rosto pintado de muitas cores diferentes, embriaga-se com a ausência da lucidez, com os devaneios de quem não se reconhece como ser pensante, digno da capacidade de se fazer mundo, devaneios de quem não se reconhece. Sem mais.
Tão humana quanto eu, cérebro desenvolvido, polegar opositor (direitos autorais: Ilha das flores), um ser racional. Mas ora essa, quem se reconhece quanto ‘homem’, se não há sociedade? Se a marginal sempre foi o seu ‘habitat’ e ninguém nunca parou pra demonstrar afeto ou ao menos interesse? Quem se reconhece, se nunca pôde olhar pra si?
Eu continuei tomando minha cerveja, ela me olhava curiosa. A música tava boa e eu, parada? Fora de contexto. Ela dançava, ela ria e achava o máximo quando eu abraçava ou beijava meu garoto... Por vezes ameaçou aplaudir e eu, constrangida com meu conforto, desviava os olhos marejados. Eu fazia parte dos sonhos dela, porque ainda que não se tenha ideais, há sonhos. E eu, daquele ponto de vista, era uma princesa vestida de modo pouco tradicional, que não dançava porque os sapatinhos apertavam-me os pés, mas que tinha um príncipe, cuja carruagem está escondida só esperando por nós. E o que eu tomava não importa, eu não precisaria de mais nada pra viver.
Mas ela precisa, de muito mais. E eu também sonhei. Ela era uma princesa, que tinha direito a casa, comida, educação, saúde e segurança. Nada de margens, era um ser social, que tinha boas conversas comigo à respeito da família que acabara de construir. Que tinha fome de intelecto e oportunidade de saciá-la. Que teve um caminho que a guiou das margens, para sociedade. E eu fui um pedaço deste caminho. Cara, eu sonhei...
E eu, que um dia deixei claro a preferência pela solidão, me deixei ser tomada pela vergonha. Eu não estou só se eu tenho a mim, aos meus objetivos, à toda uma sociedade que de certa forma, me olha, me nota e de vez em quando até me parabeniza. Dessa forma fica fácil, a solidão sequer é opção...
Eu não estou só, se aos olhos daquela mulher, eu sou ‘a garota dele’. Mas e ela, quem tem? E ela, quem é?
"No novo tempo, apesar dos perigos. Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta pra sobreviver ♪"
eu gostooo dos teus post's, apesar de não entender tudo =P
ResponderExcluir'sabe como é né'
kkkkkkkkkkk.. ;**
-Dani
Beeesta. Esse nem tá difícil. rs
ExcluirPequena ♥
Mesmo sabendo um pouco sobre sua vida, fiquei curiosa pra saber quem é essa garota. Talvez, como disse no texto, nem você sabe.
ResponderExcluirOu, seja também, talvez, mais um dos seus textos comparativos!
Otimo texto,véi. como sempre.
Parabéns (L)
Agora você sabe de tudo. - como sempre, rs.
Excluir♥
Meu bem, você arrasa sempre! ♥
ResponderExcluirTenho boas referências ;)
Excluir♥
Quando eu leio seus textos eu sempre fico em dúvida, se eu entendi ou se eu não entendi. Como disse Kaio no comentário acima, você arrasa sempre! ^^
ResponderExcluirCada texto mais surpreendente que o outro.
ResponderExcluirNovamente Benhe ta de parabens!
*-*
Que bom, Jopinha! Obrigada mesmo!
ExcluirComo não se identificar? Fazendo minhas as palavras do Kaio, você sempre arrasa! (PS: O último comentário que eu fiz sumiu)
ResponderExcluirFico feliz que estejam gostando. ;)
ExcluirBeijo, rafinha!