quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vem comigo, sem medo!

"E quando o nó cegar, deixa desatar em nós"
(O Teatro Mágico)


Então, eu já te disse que tenho claustrofobia ou algo parecido com isso? Bom, o fato é que multidões e lugares pequenos e fechados me causam pânico. Me desespera não ter como me mover, não ter como sair, me parece que o ar vai acabar a qualquer instante e eu vou agonizar até morrer. Trágico? Um pouco. Tem mais de futurismo do que de tragédia nessa coisa toda. Mas não é irônico e digo, um tanto ridículo, saber que eu vivo me espremendo em lugares fechados, pequenos, escuros, mórbidos só pra ver/ter um pouco mais de você? Tentando imprensar-me nas frestas que você, por mero descuido (ou não), deixa aberta? E eu padeço à ideia de ficar longe. Não me movo, não vejo saída e o ar acaba mesmo – todo instante. Mas eu não desisto, porque há alguma coisa nesse seu sorriso que sussurra pra que eu não me vá, um olhar inocente de quem tem culpa, de quem deixou a janela aberta propositalmente, porque sabia que eu estaria ali e que entraria correndo, sem pensar uma única vez, quando você precisasse. Elevador, nem pensar. Mas ‘elevar a dor', o tempo inteiro! (Grata pelo trocadilho, Ana Carolina!) 
Mas me ensinaram a ser educada, moço! E embora eu esteja na janela, na porta entreaberta, atrás das cortinas, consertando pela milésima vez o seu maldito foco, eu não vou passar disso! Não sem um convite e um lugar confortável me esperando, não aceito menos que a sua cama e o seu coração, certo? Apesar de me submeter a certas condições, eu ainda sei o valor que possuo, não aceito menos do que mereço! Só não chora, não me olha assim, só não me mostra - sem dizer - que precisa de mim... Porque isso não vai me fazer invadir o seu abrigo, mas vai despedaçar o que já não está inteiro. E eu vou começar a escolher a plateia, os personagens, retocar tua maquiagem e preparar teu texto! Você vai brilhar, sei disso – já fiz isso antes. E vai emborajá vi isso antes. E lá na frente, vai perceber que não sabe improvisar e vai voltar... escancarar portas, janelas e cortinas e não vai me encontrar! É uma pena, porque eu estou aqui agora e todo público já percebeu, mas você insiste em só olhar pra o que o foco dessa peça sem graça te mostra. Eu estive aqui, mas quis, o tempo inteiro, estar aí! 
E te digo mais, eu me denuncio vulnerável e sou, mas jamais – ou não mais – dependente. Desintoxicação... Vivo, recordo, me despeço com ar saudoso, apago. De vicioso, só esse ciclo nostálgico! É uma pena que só posso fazer isso pra o que há de material – e é tão pouco, diria, quase nada! Da minha memória e teimosia, nada escapa! E naquela conhecida hora que antecede o sono, as duas me fazem um breve resumo de tudo e me gritam um ‘tic tac’ irritante só pra lembrar que o tempo está esvaindo, que a canção está diminuindo o tom e que já está na hora desse espetáculo todo ter um desfecho. E provavelmente, você vai continuar ignorando a pessoa que tirou do teu caminho às pedras, que te fez confiar em si, mas que admite, não conseguiu te arrancar o medo
Medo. Tenho muitos, das mais variadas formas... Aprendo a lidar com eles todos os dias. Minha claustrofobia é um dos únicos que não enfrento, vai que eu não viva pra contar história? Certo, sem mais tragédia. O fato é que odeio sentir medo, mas me proponho a carregar parte do seu! Vem comigo e eu te mostro que dá pra ser dois, sendo um só. Eu te ensino a ser livre, estando ‘preso’. Eu te provo que o coletivo, nada mais é, que o individual bem trabalhado, transformado em algo maior e mais pleno. Carrego parte do teu receio, da tua aversão, levo comigo mais uma parte de ti, além daquela que já está em mim. Mas não posso fazer tudo. Não vou te convencer a confiar, esta decisão é só sua! Irônico é saber que o teu maior medo consiste justamente nisso, você sabe que pode, e mais, você confia e isso te apavora, a ponto de ter que ignorar a mim e as minhas discretas contribuições na sua vida. Cara, eu oculto sentimento com indiferença, eu sei fazer, sei distinguir, não vai ser útil pra você! E eu falo sabendo que não vai me dá ouvidos, no máximo aquele olhar de lado que eu adoro e que me diz: “Você está certa, mas isso não é vida pra mim”. 
E como todas as outras vezes, vai ser mais fácil fingir que nada disso foi dito. Pois bem, deixe-me ajudá-lo (mais uma vez)! Não há texto, não há sentimento algum... nem meu, nem teu! Não há nada, além do meu eu, vivendo o que me cabe. Não há saudade, nem há uma vontade discreta de ser um pouco mais. Também não há desejo, nem nada pra ser confessado... nem por mim, nem por você! E se você acredita mesmo nisso, o tempo já passou e não há mais porque te escrever. Espero que ainda haja foco e nada mais!


Então, vamos ver por quem eu estou apaixonada dessa vez? rs.

4 comentários:

  1. "O tempo está esvaindo, que a canção está diminuindo o tom e que já está na hora desse espetáculo todo ter um desfecho."
    Porque afinal todo mundo cansa de esperar...

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  2. Minha filhaaa, essa sua inspiração é sem fim mesmo, viu? rs
    Tudo serve de combustível pra essa mente fértil colocar em palavras obscuras(nem tanto, haha)o que o coração(na verdade, o hipotálamo) quer.
    Tudo igual. Um pouco mais forte e exposto. kkk

    Linda!

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