Este é um daqueles textos que eu começo a escrever sem saber se será postado, natural – se bem que os meus textos sempre o são, sempre fluem fácil, caneta deslizando no papel branco, sentimento fervendo as veias... Se fosse possível, os olhos estariam fechados e sozinhas, as palavras se materializariam, como não é, mantenho meus olhos fixos enquanto o coração escreve o que não quer mais comportar sozinho. Se estiverem lendo, provavelmente eu percebi que o peso não era tão grande, que os meus sorrisos não se farão ausentes e que eu não preocuparei ninguém que venha aqui pra saber de mim ou pra tentar entender o que por vezes é tão óbvio. Deveriam saber o quanto eu quero que vocês possam lê-lo, o quanto eu já imagino o cenho franzido de alguns e o quanto eu desejo que ao final sorriam tranquilos. Eu realmente quero.
Sempre andei segurando meio mundo de gente, arrastando, impulsionando, às vezes até cedendo o meu lugar ‘na vida’. Me aquecendo com uns poucos sorrisos, mergulhando em alguns muitos abraços e nunca estive perdida. Não até hoje. Não sei bem, o caminho me parece um só, sem escolhas, sem dilemas, sem apego pelo que inevitavelmente ficou pra trás, mas sem vontade alguma de segui-lo, me parece muito démodé para o meu astral, parece-me solitário demais pra quem nunca teve as mãos vazias e pra quem tem um coração inquieto, sedento por novos motivos. É tudo tão vazio, um automatismo barato vendido em cada esquina. Tenho dispensado, grata! Aliás, grata não, nem um pouco agradecida!
Banho de chuva em fim de tarde, um olhar que me traga verdade, reencontros premeditados ou casuais. Coisas tão simples e talvez, distantes. Tenho sido corroída por essa competitividade que se instala dia após dia, as pessoas e essa necessidade estranha de se afirmarem através do fracasso de quem está ao lado. Me parece tão mais simples caminhar a dois, vencer a três, comemorar a quatro, cinco, seis. Essa coisa de coletivo é tão mais linda, porque diabos as pessoas a perdem tão cedo? Não vejo graça no preto e branco medíocre desse ‘novo conceito’ de sucesso.
E os dias por aqui têm amanhecido iguais, salvo as tardes em que o céu se deixa manchar por cores mais vibrantes, têm ido embora da mesma maneira. Um dia a mais que foi vencido, um dia a menos pra se lutar. Não sei o que me instiga mais. Também não sei se preciso de mais estímulos. Tenho o orgulho e o amor dos meus, tenho sim, ainda que distantes, olhares tão verdadeiros quanto os que o espelho me reflete. Tenho pessoas ao meu lado, à minha frente e alguns que infelizmente ficaram pelo caminho, mas fizeram história, foram estrada ou me tiveram como uma. Ainda há muito bem pra ser feito, ainda há muito frio lá fora. E eu ainda estou aqui. Não parar, só seguir...
Espero que estejam sorrindo, eu o fiz - de verdade ;)
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