sábado, 22 de dezembro de 2012

Cento e dez, Cento e vinte, Cento e sessenta

"E a minha vida é tão confusa 
quanto a América Central,
por isso não me acuse 
de ser irracional"
(H.G)

Muita luz pra pouca tolerância. Sem sair do lugar, já dei inúmeras voltas por aí. Visitei antigos traços desconexos do mapa que eu mesma construí, dei uma olhadinha por cima do muro, ansiosa – como sempre, tentando enxergar o que vem ali, logo à frente. Já parei, tomei uma água e voltei a rodar. Sentei-me e entreguei a autonomia para o meu lado mais sincero e eis que ele não para mais de falar. Não se importa se eu estou consumida por uma dor de cabeça com precedentes bem conhecidos, também não acha que eu precise sair e viver alguma coisa como outros fazem agora. Convenceu-me que eu estou saciada – e cá pra nós, eu estou mesmo. Serena, embora a menos de dez minutos tenha tido uma vontade louca de surtar, de despir-me da sanidade e sorrir pro perigo ou incorporá-lo, ser - eu mesma - aquilo que eu temo. Mas não, eu escrevo. Não por privar-me, mas é que aqui eu piro. Piro mesmo. E sei que há quem perceba e enlouqueça junto comigo. Fica o convite, isso muito me agrada!
Cento e cinqüenta quilômetros por hora, numa das poucas estradas retas que eu hei de encontrar pela estrada. Sou fascinada por curvas, principalmente aquelas que têm o poder de mudar todo meu caminho, acho retornos um tanto patéticos, mas vez por outra necessários. Mas agora estou em linha reta, numa velocidade onde pouca coisa importa e onde um detalhe pode fazer toda diferença. Já estive assim antes, nas sessões necessárias de terapia, beijei meu psicólogo, fugi pras ruas da adrenalina, voltei, abriguei-me no consultório e quase não saía mais. Mas libertei-me e desde então, nada mais conseguiu ser tão atraente quanto... 
E quem se importa? Eu. E ninguém mais? Hum, talvez sim. Talvez se importem tanto que simplesmente não possam mais. Não é todo mundo que sempre está disposto a carregar um pouco mais. Aliás, tem sido cômodo, né? Minha bagagem parece tão espaçosa, uma coisa a mais não há de pesar tanto... Engano, pesa e pesa muito, mas em momento nenhum vou recusar-me a carregar. Só exijo uma coisa, deixe-me escolher os portos, eu sei onde ancorar, por mais que esteja em falso e que tudo isso esteja prestes a afundar, é só um descanso. Nada mais. Só estou mastigando a paz que um dia veio da incerteza, só estou bebendo a calmaria que ainda vem e eu não sei o porquê. Deixe-me respirar, nossos fardos estão bem guardados e muito bem cuidados. 
E mais, permita-me enlouquecer, bagunçar os cabelos ao desafiar o vento. Esperar que a onda arraste-me os pés. Até que o porto esteja firme, até que possa passar de um descanso, de um descaso, de um caso. Até que eu possa, enfim, parar e entregar a cada um o peso de ser. Por mais uma terapia, mais um abrigo e muita adrenalina. Por mais madrugadas pairando sobre as lembranças, sem planejar futuro algum, construindo-o à velocidade que eu quiser, nas curvas que eu escolhi pintar. Por mais algumas poucas cervejas, outros muitos olhares. Por mais loucura, mais inquietude, por mais de mim

Vem comigo, confere a loucura que é estar vivo, que é ser eu, que é ser d’eu. Vem comigo, sem seguro, eu te seguro! Enlouquece você também ou eu mesma te enlouqueço!


2 comentários: