Fugir dos estudos tem sido uma boa desculpa para discursar sozinha durante a madrugada (tem sido meu único tempo livre). Não tem me faltado inspiração, eu nunca as deixo ir, lembra? Sempre dou um jeito de vigiá-las daqui, dali, de algum cantinho que me traga o conforto de saber que estão ‘próximas’. As pessoas, o movimento, os caminhos curvos que a vida traça, esses são meus combustíveis, dessa forma é impossível parar. Nem ia escrever, reconheço que a monotonia da minha rotina tem me tirado o ímpeto, mas relendo textos antigos, lembrando de cada um dos momentos em que foram escritos, eu pude perceber o quanto de coisa aconteceu num curto intervalo de tempo. Alta rotação nunca me surpreendeu, mas me impede de analisar a velocidade com que as coisas mudam.
Irônico foi perceber que muita coisa esquecida por mim - sequer registradas nesse blog - permanece viva, num pulsar excitante, capaz de modificar meu humor e minha maneira de enfrentar os fatos. Elas nasceram em tempo remoto, consumiram até o findar da chama, adormeceram e vez por outra, me despertam. E ainda sim, nunca foram descritas aqui. Talvez estivessem em latência, talvez eu as quisesse ignorar. Mas é madrugada, leitor... E nela tudo me escapa. Penso no quanto eu quis prolongar coisas que nasceram pra acabar, no quanto eu quis findar o que nasceu pra ser eterno ou pra durar sabe Deus por quanto tempo. Vivo atropelando a vida com a intensidade que me toma, mas claro, ela nunca deixou barato. Me freia rápido e raramente me evita a queda. Mas quer saber? Nem dói mais... vez em quando eu ainda dou um sorrisinho irônico, como quem diz: ‘Ainda estou aqui’. Mas não a desafio, não entro em batalhas perdidas.
Minhas escolhas nem sempre são as melhores, mas quando as faço, raramente desisto delas. E penso naquelas definitivas, na precipitação pelo sonho, no desejo de ‘algo mais’, penso, repenso, mas as assumo. Foram minhas, feitas por mim, abro as portas para a consequência. Peito aberto. Bate, já suportei muito! Não é pedra, mas é forte! Bate, estou aqui! Eu quis, talvez ainda queira. Portanto, pode bater...Eu suporto! Mesmo que vez por outra queira jogar essa tralha toda pro ar, eu suporto!
E tenho amado ou só suportado. Tenho esquecido muitos dos ‘você’ que povoaram esse blog, tenho digerido muitos outros que ficaram ocultos pela obviedade. A exceção que quis ser regra, o diferente que tornou-se comum, a prece que virou desprezo, a calma que ainda é calma, mas já não apetece o coração. O desejo que ainda é desejo e dificilmente passará disso. Todos os encaixes devidos ou indevidos, todos os capítulos da minha história, alvos do meu amadorismo de vida e escrita. E tantos outros que virão... Mas que se pode fazer, além de viver? Nada (E como é bom - neste caso - não ter opção!)
Muito sua cara esse texto. A srta tem talento para a escrita. Saiba aproveita-lo.
ResponderExcluirBeijão amorzin!
Cláudio Henrique
Por aqui tudo é muito minha cara, rs. Obrigada, meu bem! Espero saber aproveitá-lo sim!
ExcluirBeijão