segunda-feira, 4 de março de 2013

Não quero perder a razão pra ganhar a vida.

“Nem sempre faço o que é melhor par mim,
 mas nunca faço o que eu não tô afim de fazer”

Calor - É uma das muitas coisas que eu venho sentindo constantemente. No tédio de um domingo a tarde, na ansiedade de bons jogos de futebol, na preguiça de pensar no que vem apertando os meus miolos. Olhei pro lado. Achei injusto... Folhas em branco, movimentando-se com a leveza do vento, vazias, leves - mais que tudo leves. O coração gritou. Os olhos focaram na caneta que repousava inofensiva ao lado da televisão. Enquanto eu questionava se deveria perturbar a calmaria, o coração voltou a gritar. Levantei. Papel, caneta, vazio, paz. Por que tumultuar? – Está pesado. Foi a resposta que eu recebi. É mais que suficiente... Com inveja daquele branco, comecei a manchá-lo com vida.
A mania humana de esperar a cura. A vivo todos os dias, seja na academia, seja pelos trens dispersos a quem eu sempre sirvo de estação. Pelo pouco que me cabe, permita-me dizer: Passividade não traz cicatriz. Tempo não mata, seda! O anseio pela cura é grande, o que se faz pra alcançá-la poucas vezes suficiente. Eu vejo isso todos os dias, nos hospitais, nas ligações desesperadas que eu recebo, nas lágrimas que derramam nos meus ombros, no meu próprio espelho – o único a quem eu não consigo enganar. De resto, convenço fácil com meus sorrisos dificilmente despropositados. Talvez eu não seja mesmo a pessoa adequada pra falar, não sei esperar, por vezes não sei como agir e nessas horas, bom, nessas horas eu escrevo... (É uma forma de espera?) 
Confesso que se ao invés de deixar no papel o meu pesar, eu pudesse absorver a leveza com que se moviam ao meu lado, eu o faria. Abraçava ao menos por um dia aquele vazio e me permitiria largar tudo que eu carrego, por querer, por amar, por precisar, por não saber o motivo também. Mas não posso, devo manchá-lo, devo dá a ele um objetivo maior do que atrair meus olhos entediados, devo fazê-lo chegar até alguém (ao menos deveriam...), mas meus papéis estão aqui, não estão? Nem todos, é verdade. Mas os que me são convenientes. 
Pausa. Parei aqui. A falta de conexão confundiu até a mim. (Já posso pedir desculpa a vocês por isso?). Mas lembrou-me alguém, alguém que fala minha língua de forma tão fluente que nos entendemos com bem pouco. Alguém que há algum tempo escreveu suas confusões de forma clara (ao menos pra mim) e tão linda, que relatou e desculpou-se pela aparente desconexão de suas linhas, de suas crônicas. E foi nessa escrita que eu encontrei inspiração para seguir além da pausa. Raras vezes fui tão clara a cerca de algo que me inspira, mas o faço com o intuito de fazer pela pessoa o que fez, de forma inconsciente, por mim. Inspirá-la e encorajá-la a embaralhar as letras, desalinhar os pensamentos, desatar os nós da mente e debelar a saudade que, sem dúvida alguma, seus leitores andam sentindo. (Eu sinto.)
Voltei. Tão confusa quanto estava no terceiro parágrafo, aliás, quanto estou há alguns dias. Aliviando o peso das minhas “qualidades” e a repetição dos meus defeitos. Vendo chegar o fim da folha, sem enxergar o fim dos acontecimentos mais recentes. Amanhã tudo pode está diferente e sem medo, eu só quero que ele chegue. Não sei lidar com assuntos mal resolvidos, não sei esperar, nem confio em passividade, no entanto, não sei pra onde eu quero irnão agora. E se eu não consigo ficar parada, eu escrevo pra movimentar-me sem consequências ou para induzir movimentos mais brandos, inesperados e provavelmente, apaixonantes

3 comentários:

  1. "E mesmo que pareçam bobagens as viagens que eu faço, eu traço os meus rumos eu mesmo." Lindo, lindo, lindo...

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