sexta-feira, 4 de abril de 2014

...Esperando uma palavra.

É que essa de “vivaohojeoamanhãnãoexiste” confunde muita gente, sem pausa, é mesmo de tirar o fôlego. Consome o juízo como consome o tempo. Queima e pouco sobra. Ou muito se constrói - e esse é o lado que quase ninguém vê. As coisas acontecem, às vezes, sem que nossas mentes calculem ou nossas pernas persigam. Elas ocorrem. Mesmo quando se perde o pensamento frente a quem quer escutá-lo. Mesmo quando a gente se conhece, numa espécie de autorreflexão, frente a quem ainda está perdido. Não se nota. Não se dá conta, até que elas sorriem embriagadas, numa multidão de gente que nem se percebe. Nessa hora, será só você e a verdade. Só você e o fato, rindo da sua ingênua falta de percepção.

E aí você quer gritar, mas percebe que poucos te escutam e os que o fazem, julgam. Não conseguem enxergar por trás daqueles olhos diminutos - não o que você enxerga. São incapazes de abrigarem-se nas certezas do seu coração. Então você ri e carrega sua verdade que até pouco tempo atrás escondia-se. Você brinca com ela. Dá destinos desviados, a coloca em muitas situações diferentes e percebe que sozinha, ela acha o caminho certo. O caminho daquele sorriso, daqueles olhos que marejaram junto aos teus. Ela te acha dentro de outra pessoa. Dentro de outro lugar. Ela te acha onde você se esconde, se abriga. Ela sabe pra onde você foge. (Sim, isso te tira o direito de fuga)

Mas você não quer fugir. Quer só deitar-se com a certeza de que amanhã estará tudo no mesmo lugar. Pulsando do mesmo jeito. Gritando pela mesma coisa. Só quer ir com a certeza de que há volta e que a cada volta, essa verdade é maior. Só quer voltar, antes mesmo de ir. Não caro leitor, você não é o único e muita gente tá aí sem saber como se espera. Mas você escreve, você canta, você lê. O coração aquieta e sem saber esperar, você já está esperando... Pelo que? Pelo que há de vir? Pelo que já está aqui? Por uma verdade escondida ou uma meia verdade dita entre dentes? Por mim ou por você? Por nada? – Isso não, há sempre uma espera. Há sempre uma escolha.

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