E então, como estamos hoje? Cinco
anos atrás, você gastava seu recesso ínfimo na frente do computador situado no
lugar mais quente da casa. Palmares, como sempre, te oferecia o aconchego da
família e o tédio típico de interior não desenvolvido. Os últimos dias foram um
tanto complicados, o cansaço era sentido, não tão visível e o temido quinto
período da faculdade batia a porta. Você tomou uma cerveja na ‘vendinha’ da
esquina, comeu trufa com suas irmãs, esqueceu um pouco da tarde divida entre
ambulância e hospital. Mas me diga, e hoje, como estamos?
Meus
sonhos para você foram muitos, residência de pediatria em andamento, cabelos
longos ou do tamanho que estavam quando eu te escrevi, uma rotina saudável de
exercícios físicos, um coração não mais sedentário (sim, via de mão dupla), um
notebook que ainda guarde documentos intitulados com datas, onde você despejou
o que sentiu e não pôde – ou não quis – dizer, teu sorriso como tua maior arma,
um lugar pra chamar de teu, ou quem sabe, a certeza de que não há lugar pra
você, pois não somos daqui ou quem sabe, não existamos. O futuro que eu escrevi
desde muito nova e que até agora, está dentro dos conformes. Então?
Concretizamos? Espero que você esteja rindo da minha inocência agora, que
esteja pensando: “É claro que sim, algum momento você duvidou?” e quem sabe,
dizendo: “Estamos ainda melhor”. Espero que tenha se lembrado de agradecer a
Deus, sabendo que foi Ele quem nos conduziu até aí e caso tenha esquecido, o
faça agora!
Mas
e as nossas entrelinhas, como andam? Teu coração, ainda do mesmo tamanho? Ou
talvez maior? Você ainda surta nas madrugadas e levanta disposta a segurar o
mundo? E o mundo ainda tem a mesma dificuldade em te segurar? Quantas são as
poucas pessoas que te enxergam hoje? Com quantas você tem sido indiferente pra
que não percebam o quanto te deixam frágil? Quantos amores nós perdemos? E
melhor, quantos nós vivemos? E mais
importante, qual você vive hoje? Teu social, continua intacto, certo? Teu sonho
de um mundo coletivo ainda é o mesmo. [A falta de interrogação foi proposital,
eu confio no meu – aliás, no nosso – caráter.] E se por algum acaso, algo tenha
mudado, espero que ainda que envergonhada, você recomece a partir de agora! Uma coisa eu tenho certeza que não mudou, você
precisa do todo e ele não é ‘todo’ sem teu ímpeto, ele não é ‘todo’ se você não
faz parte dele.
E
no meio disso tudo, eu só espero que estejas feliz, que ainda tenha a mesma
força de correr atrás do que te enche os olhos, que continue não desistindo do
que te transborda o coração, que teu melhor programa ainda seja um domingo de
Arruda e o teu maior sonho uma ‘coisa’ tua, construída a dois. Que ainda lembres – de vez em quando – que
precisas ser ‘uma’ pra ser ‘mais’. Eu só espero que seja uma extensão do que eu
sou, esse poço de desequilíbrio andando pelos meio-fios, assim, tenho certeza,
que estaremos felizes. Eu espero que eu goste ainda mais de você, porque de
mim, eu até gosto um bocadinho.
Um
beijo Pernambucano, um abraço regionalista e aquelas mesmas saudações corais de
sempre, Gessica Diniz! (Nada de doutora,
espero que continue achando isso um saco).
PS: Que eu esteja viva e com memória bem conservada pra reler esta postagem cinco anos mais tarde!
A-m-e-i! Só isso tudo!
ResponderExcluirQueria te ver lendo daqui a 5 anos. rsrs Lindo!
Vai dar certo isso aí. Com algumas mudanças, eu sei, mas vai dar certo. Vai ser bem melhor. rs
Beeeijo, Lispector! <3
-Fernanda
Você verá, eu tenho certeza! E espero que seja bem melhor mesmo! Amém pra isso (:
ExcluirBeijo, Nanda ♥